Pursuing one’s own

Don’t bend; don’t water it down; don’t try to make it logical; don’t edit your own soul according to the fashion. Rather, follow your most intense obsessions mercilessly.
― Franz Kafka

As I have written here before, I have been experiencing a lot of self doubt and rejection on matters I feel strongly about, even about my craft which is the cleanest reflection of who I am and what I stand for.

In the past months I’ve been pushed and bent almost to the point of cracking and breaking, I was made feel like it was a part of the process of learning a trade and bowing down to those who were seasoned. Fact is I only needed the knowledge and the example, not the domination, not the exploitation of my position in hierarchy. This process meant a lot of dwelling within me, making up my mind wether to see it through to the end or moving on. I’m not one to give up on what I’ve set my mind to do, so I provided I played it their way, but my goal was to steal every bit of knowledge from them, since I was in disadvantage, I had my eye on the tools, not the winning cup, I leave cum laude for the scholars. What I want is to mash what I’ve learnt with my obsessions and pursue an even tighter one. I almost split into two versions of me, one that was scared of not being good enough and another one, too proud and angry. I had to trick’em into giving me what I wanted without getting noticed and, therefore, escaping unpunished and intact from their grip, free to do my own.

Like in all forms of knowledge, technique oriented only oriented training doesn’t mean great performance, and if technique and standart procedures are taught, how do we evolve? Where’s the innovation? Only a few break the mold thinking creatively, breaking the rules they’ve been taught, thus contributing to the further questioning and improvement of their craft. We all need to take chances and think outside the box and pitch our obsessions, making them noticed and seen. What’s there to lose, anyway?

GJ

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“De Profundis” de Oscar Wilde: breves passagens

“Estará a tua imaginação a despertar da longa letargia em que repousa? Já sabes o que é o Ódio. Começarás a compreender o que é o Amor, e qual é a natureza do Amor?”

“Julgo que o que eles amam não é a Arte

Que quebra o cristal do coração de um poeta

Aqueles olhos pequenos e viciosos podem irritar-se ou deliciar-se.”

“A faculdade «por meio da qual e apenas por meio da qual somos capazes de compreender os outros nas suas relações reais ou ideais», tinha sido enfraquecida pelo teu estreito egoísmo, e a sua longa falta de uso tinha-a tornado indisponível”

“Dentro de nós o tempo não progride. Regressa. Parece circular à volta de um centro de dor.”

“Nunca, nem mesmo nos dias mais perfeitos do meu desenvolvimento como artista, teria eu sido capaz de ter palavras que se adequassem a um tão grande fardo, ou que se movessem com suficiente majestade musical no meio do púrpuro espectáculo da minha incomunicável mágoa.”

“As folhas de louro morrem quando são apanhadas por mãos idosas. Só a juventude tem o direito de coroar um artista. Esse é o verdadeiro privilégio da juventude, se a juventude o conhecer.”

“Não há nenhuma coisa viva no mundo do pensamento ou do movimento em relação à qual a Dor não vibre em pulsação terrível, ainda que extraordinária.”

“Onde há Dor, o chão é sagrado. Um dia compreenderás o que isto significa. Não saberás nada da vida enquanto não o compreenderes.”

“O primeiro volume de poemas que, na Primavera da sua virilidade, um jovem lança para o mundo, devia ser como uma flor na Primavera, como o espinho branco no prado em Magdalen, ou como os malmequeres nos campos de Cumnor. Não deve pesar sobre ele o peso de uma tragédia terrível e revoltante, de um escândalo terrível e revoltante.”

“Há um tacto no amor e um tacto na literatura – tu não foste sensível a qualquer deles.”

“A cegueira pode ser levada tão longe que se torne grotesca, e uma natureza pouco imaginativa, se não se fizer alguma coisa para a despertar, ficará petrificada numa absoluta insensibilidade, de tal modo que, enquanto o corpo pode comer, beber, e ter os seus prazeres, a alma, de que é casa, pode, como a alma de Branca d’Oria em Dante, estar absolutamente morta.”

“Tratei a Arte como a realidade suprema, e a vida como um mero modo de ficção; despertei a imaginação do meu século de tal maneira que ela criou mitos e lendas à minha roda; resumi todos os sistemas numa frase, e toda a existência num epigrama”

“O que o paradoxo era para mim na esfera da paixão, tornou-se para mim a perversidade na esfera da paixão”

“Estou mais individualista do que alguma vez fui. Nada me parece ter o mais pequeno valor, excepto aquilo que retiramos de dentro de nós. A minha natureza procura um novo modo de auto-realização”

“Quando penso acerca da religião, sinto que gostaria de fundar uma ordem para aqueles que não são capazes de crer; poder-se-ia chamar a Confraternidade dos Sem Pai, onde, num altar, no qual não ardesse qualquer lamparina, um sacerdote, em cujo coração não habitasse  a paz, pudesse celebrar com um pão amaldiçoado e um cálice vazio de vinho”

“A Verdade na Arte não é uma correspondência entre a ideia essencial e a existência acidental (…) tal como não é o poço de água prateada existente no vale que mostra a Lua à Lua e Narciso a Narciso”

“Fracasso, desgraça, pobreza, dor, desespero, sofrimento, lágrimas mesmo, as palavras entrecortadas que provêm dos lábios da mágoa”

contemplar o espectáculo da vida com as emoções adequadas, que é aquilo que Wordsworth define como verdadeira finalidade do poeta”

“Quando entramos em contacto com a alma, isso torna-nos mais simples como crianças, como Cristo disse que devíamos ser.”

“Quanto ao Altruísmo, ninguém melhor do que ele sabia que que é a vocação e não a volição que nos determina, e que não podemos tirar uvas de espinhos nem figos de cactos”

“Mas, embora Cristo não tenha dito aos homens, Vivei pelos outros, afirmou que não havia diferença entre as vidas dos outros e a nossa vida”

“Todas as obras de arte são o cumprimento de uma profecia. Pois todas as obras de arte são o cumprimento de uma profecia. Pois todas as obras de arte são a conversão de uma ideia numa imagem”

“não tinha influência sobre ti para conseguir que não me perturbasses, como se deve fazer a um artista”

“detestava que olhasses para mim como uma pessoa útil, modo como nenhum artista deseja ser visto ou tratado; sendo os artistas, tal como a própria arte, inúteis por essência”

“Quanto a ti, só me resta dizer uma última coisa. Não tenhas medo do passado. Se as pessoas te disserem que é irrevogável, não acredites nelas”

Onde outros, diz Blake, nada mais vêem do que a Madrugada a aparecer sobre o monte, eu vejo os filhos de Deus gritarem de alegria

 

in De Profundis, Oscar Wilde.

GJ

 

 

Nem a propósito

Daily Prompt: Quote Me

O prompt de hoje sugere-me escolher uma citação e comentá-la. Nem a propósito, abandonei ontem o “De Profundis” de Wilde num parágrafo que cita Goethe, que me remete para o momento em que a li pela primeira vez:

Aquele que nunca comeu o seu pão em solidão,
Aquele que nunca passou as horas da noite
A chorar e esperando a manhã,
Não vos conhece, ó Poderes Celestes.

É engraçado reviver leituras, dentro de leituras, a prática é muito comum, escritores que citam outros escritores, e Goethe não era estranho a Wilde. A humildade trazida pelo sofrimento é o tema da citação, bem como o tema do momento da narrativa de Wilde. Aquele que sofre vê o belo e o divino, vê claramente que de mais não precisa do que essa lucidez, alimento e abrigo.

Tenho tido a oportunidade de trocar impressões com autores, pessoas das letras, que também se cruzaram com alguns dos rabiscos que para aqui andam, e concordamos que todo o tempo é necessário e não há horas do dia suficientes para concretizar o que do mundo acumulamos, nós, quem muito sente; concordamos mais ainda com Wilde, quando diz The only people I would care to be with now are artists and people who have suffered: those who know what beauty is, and those who know what sorrow is: nobody else interests me, quando o mundo exterior se torna muito exigente da nossa atenção.

 

GJ

“O amor é alimentado pela imaginação”

Em ti, o Ódio foi sempre mais forte do que o Amor. O teu ódio pelo teu pai era de tal maneira grande que excedia, vencia e ofuscava completamente o teu amor por mim. Não havia qualquer batalha, ou, se havia, era pequena, entre eles; de tais dimensões, de tamanho tão monstruoso era o teu Ódio. Não percebias que não há lugar para essas duas paixões na mesma alma. Não podem viver juntas nessa pequena morada esculpida. O amor é alimentado pela imaginação e, por meio dele, tornamo-nos mais sábios do que nos sabemos, melhores do que nos sentimos, mais nobres do que somos; por meio dele podemos viver a Vida como um todo; por meio dele e apenas por meio dele, somos capazes de compreender os outros nas suas relações reais e ideais. Só aquilo que é excelente, e excelentemente concebido, pode alimentar o Amor. Mas qualquer coisa pode alimentar o Ódio. Não houve nenhuma taça de champagne que tenhas bebido, nenhum prato que tenhas comido naqueles anos, que não tenha alimentado o teu Ódio, fazendo-o engordar.

(…)

O Ódio cega as pessoas. Tu não tinhas consciência disso. O Amor pode ler o que está escrito na mais longínqua estrela, mas o Ódio cegou-te de tal maneira, que já não eras capaz de ver para além do estreito, murado, e já seco pela luxúria, jardim dos teus desejos vulgares. A tua terrível falta de imaginação, o único defeito realmente fatal do teu carácter, resultava inteiramente do Ódio que vivia em ti.

(…)

Aquela faculdade que o Amor podia ter acalentado, foi envenenada e paralisada pelo Ódio.

 

in De Profundis, Oscar Wilde