Dois cafés, um em chávena escaldada

458803_415960621766130_42950811_o

 

Se estivéssemos agora a tomar café pedias-me para ir tirar e encher dois copos com água do balcão, para pagares os cafés sem que eu resmungasse. Ficaríamos dentro do café e não na esplanada, na mesa do canto, de frente um para o outro. Terias voltado e estaríamos a falar sobre aquele filme de ficção-científica com aliens e uma Linguista, do outro filme que não é bem Star Wars mas sim uma história paralela, sobre o castelo medieval que estão a construir em França e que vai levar mais 25 anos até estar totalmente erguido, sobre a vergonha que foi a organização dos Jogos Olímpicos e depois, por falar em Brasil, sobre os confrontos entre professores e estudantes com a polícia no Rio de Janeiro, só depois disso contaríamos as novidade boas e más, um diálogo que temos aperfeiçoado, intercalado por olhares cruzados, um sorriso encavacado e um amo-te. Porias a tua mão sobre a minha e falaríamos abertamente de como nos sentíssemos, até o tempo parar nos teus olhos doirados e a bolha estar restaurada. Dali partiríamos para um qualquer passeio, amando-nos pelo caminho, parando para almoçar, descobrindo mais um do outro, um sobre o outro, sem a hora da partida.

Não passaria pelo embaraço de te dizer acerca da minha solidão, não estaria disperso por demais tarefas que me mantivessem no sossego apartado do calor, apressado correr a lista da minha rotineira manhã para começarmos a nossa, enfim, seria a minha prioridade – se hoje te tivesse recebido. Especialmente hoje, que abalou o aperto e se acomodou a pachorrenta alma de lavrador, pois que se por um lado te espero fazendo dos dias poucos segundos, cultivo essa solidão para dela recolher sustento.

É esta a sólida distinção entre solidão e estar apenas só, em que o espírito arde num firme fio para o absoluto no resoluto lavor, e não soprado pela falta. Solidão é meu repouso e meu lar.

Assim seria, ficção ou não, se tivéssemos tomado café hoje.

GJ

Anúncios

Lovescream

spat shadowplay on silk skin

casted light from the blinds form a milk screen

where a spotted colourless coating is shot in motion

on the camouflaged yet candid state of confusion

steadily flooding the surfaced grin.

 

GJ

Pursuing one’s own

Don’t bend; don’t water it down; don’t try to make it logical; don’t edit your own soul according to the fashion. Rather, follow your most intense obsessions mercilessly.
― Franz Kafka

As I have written here before, I have been experiencing a lot of self doubt and rejection on matters I feel strongly about, even about my craft which is the cleanest reflection of who I am and what I stand for.

In the past months I’ve been pushed and bent almost to the point of cracking and breaking, I was made feel like it was a part of the process of learning a trade and bowing down to those who were seasoned. Fact is I only needed the knowledge and the example, not the domination, not the exploitation of my position in hierarchy. This process meant a lot of dwelling within me, making up my mind wether to see it through to the end or moving on. I’m not one to give up on what I’ve set my mind to do, so I provided I played it their way, but my goal was to steal every bit of knowledge from them, since I was in disadvantage, I had my eye on the tools, not the winning cup, I leave cum laude for the scholars. What I want is to mash what I’ve learnt with my obsessions and pursue an even tighter one. I almost split into two versions of me, one that was scared of not being good enough and another one, too proud and angry. I had to trick’em into giving me what I wanted without getting noticed and, therefore, escaping unpunished and intact from their grip, free to do my own.

Like in all forms of knowledge, technique oriented only oriented training doesn’t mean great performance, and if technique and standart procedures are taught, how do we evolve? Where’s the innovation? Only a few break the mold thinking creatively, breaking the rules they’ve been taught, thus contributing to the further questioning and improvement of their craft. We all need to take chances and think outside the box and pitch our obsessions, making them noticed and seen. What’s there to lose, anyway?

GJ

Registo fotográfico III – Água horizontal

Chego a Porto Covo e quero sentar-me na arriba e observar o mar, liso e verde no horizonte, a rebentar sem piedade nas rochas e nos pescadores. Sempre gostei de fotografar pescadores. Cuidadosos, aguardam com paciência a próxima criatura, seja ela qual for, lançam engodo, recolhem a pesca, mudam o isco, evitam outra onda sorrateira, À esturra ali ganham o dia, outros nos barcos, embora hoje os marinheiros me pareçam ter ficado em terra. A foto foi tirada em graças de paisagem pois o horizonte é horizontal, não há volta a dar.

#developingyoureye

12819371_1267141116648072_6202816251630522147_o

 

GJ

Picture prompt: from picture to word #4

 

Experiências

 

She is drifting on water. She conceals all a girl can feel. Her hand ever with poise sends everyone away. The boys, the boys and the praise, her and her boys in a haze of false pretenses. She wants to find her truth that blunders and she isn’t likely to handle it. She can’t handle loneliness, and it is when she walks  on water she becomes herself. She can’t handle love, washing down her flame.

 

GJ