“Aime- moi moins mais aime-moi longtemps”

Silver Screen

Keep it Simple

Mal consigo escolher entre os meus filmes favoritos, embora este me pareça de acordo com a presente época.

Chansons d’amour está longe de ser um musical lamechas, romântico, conformista ou generoso para com os personagens. É uma desgraça. Todos sofrem, as personagens são tão humanas que vemos as falhas de carácter todas, os diálogos são, à maneira francesa, impessoais e secos, ora contidos e poéticos, ora vulgares e despidos de metáforas, ligando dois personagens improváveis numa relação de grande vulnerabilidade, intimidade, persuasão e receio.

Aime- moi moins mais aime-moi longtemps

Confesso que me zango sempre com este pedido, pois não me é humanamente possível amar menos. O tempo é irrelevante, fora do meu controlo, embora a minha vontade seja derradeiramente mais persistente que o ele, que a oxidação. É um pedido tão egoísta, tão pouco apreciador. Ser carente, viciado em amor, e pedir menos do que lhe dão, do que pede, ao mesmo tempo que exige uma dosagem prolongada, enfurece-me; porém quem ama fá-lo-á, sempre. Eu apenas o faço com o furor de um terramoto e com a suavidade de um sopro, para que não assente nunca o pó.

 

GJ