Listas? Talvez a playlist do chuveiro

Rectifico o que disse no meu último artigo acerca da viabilidade e real uso de listas. Há uma lista que ignorei e que depois de concretizada me tem servido lindamente. Listar as minhas canções de chuveiro predilectas não foi fácil e revelou algo sobre este hábito: a música serve-me como portal para aceder a emoções vividas em determinado tempo, é uma óptima ferramenta para desbloquear da confusão mental e incomodar os vizinho pela manhã. Detesto os meus vizinhos mais do que eles me detestam a mim. Então:

  • Black and Gold
  • You Know I’m no Good
  • A Change is Gonna Come
  • Green Eyes
  • Sweet Baby
  • Body and Soul
  • Golden Eye
  • The First Time Ever I Saw Your Face
  • Golden
  • Happy Days Are Here Again
  • In My Bed
  • The Miseducation of Lauryn Hill
  • The Chokin’Kind
  • Black Coffee
  • Since I Fell For You
  • Statues
  • I Used to Love You
  • River Deep Mountain High
  • Tenderly
  • Misty
  • Wake Up Alone
  • A Foggy Day
  • Gone Daddy Gone

GJ

Listas? Talvez não.

Talvez bons resultados sejam também potenciados por bons desafios.

O desafio mais recente era o de criar uma lista ou de coisas que gosto, ou do que aprendi, ou ainda do que sou melhor a fazer. Eu listo afazeres e o que é preciso comprar, pouco mais. É inevitável que me disperse no tempo e no espaço a problematizar assuntos que vão surgindo, mas considero o tipo de listas que listei acima um desperdício de energia.

Uma lista de coisas oportunas e que valem a pena pensar:

Soluções para problemas que comprometem o futuro, defendê-las e refutá-las até chegar a algo real e exequível

Problematizar a reestruturação dos canais de comunicação social: tendenciosos, corruptos e cúmplices.

A rotina que levamos é imposta, se não fosse, o que faríamos com a nossa atenção livre para perceber o que se passa no mundo que compromete a nossa saúde, o futuro que julgamos inefável para nós e para os nossos, pessoas e famílias inteiras que morrem todos os dias devido a guerras que não são mostradas, a poluição, os interesses políticos e corrupção sem vergonha que ainda não conseguimos levantar a voz para cessar, a estupidez a que chegámos para nem sequer agir, agir para quê se está tudo estragado?, o que vamos dar de comer aos nossos descendentes?, que água vamos beber?, vamos querer viver? – e será que tudo isto seria assunto se não vivêssemos como porcos encurralados e nos apercebêssemos que temos tempo e energia, muito embora algo a perder, para nos insurgirmos e trazer à luz do dia estas questões, pelo menos para morrer de consciência tranquila?

Porque raio é a religião um motivo?

Porque raio é usada qualquer religião como desculpa para explorar os interesses dos gananciosos, para defender os criminosos que dizendo que se regem por ela praticam os mais incríveis crimes?

Porque é que a história não serve de aviso para o que acontece hoje, neste preciso minuto, em todo o lado?

– Hoje exponho estes assuntos, não sendo o primeiro nem o último: cada um tem o seu ângulo, pois eu tenho perfeita noção que este mundo já não é nosso, por isso precisamos de o refazer. Tragamos acima o que protege o bem estar, a segurança pelas mãos dadas e a individualidade e o respeito mútuo. Liberdades e egoísmo não funcionam, mas podemos coexistir. Há muito que me dizem que ninguém é realmente livre. Ninguém é realmente livre de si mesmo, isso sim. Larguemo-nos.

GJ