Inquietação

Eu sei e reconheço que a minha relação

com os meus dias mais ébrios é de repulsa e de agitação…

não fico na cama, leito d’ácaros, sinto a sujidade,

o nojo,  odeio-me. por isso, seja porque meio for,

tenho de encontrar a faísca de ódio e amor

que me leve a dançar,

– gritar, masturbar-me, ecoar

em risos, vestir-me de vermelho

ou até encontrar os lábios d’alguém de corpo pesado,

sem soluções químicas que misturaria, pr’abafar

sentimentos que acho belos

onde encontro beleza sublime

ainda que me levem a apatia,

como quando todas as cores se juntam em luto,

num negro vulto.

mas eu não prefiro nem deixo de preferir, é instinto,

como um animal de muito orgulho ferido

a sexualidade, sim, arde, extingue-se,

quando encontras poços desiguais

como encontrei, perdi e renovei o meu toque.

não deixo de o saber,

nem o que é viver,

ainda sob parâmetros meus apenas,

aparte de presenças e convenções e expectativas,

mas deixo de saber, por momentos e aos poucos quem sou

talvez por mudar

talvez por amar

que são em mim verbos indissociáveis

consumindo, intoxicando o outro.

sim, amo,

eu amo quando mudo.

na mudança crio empatia com o desconhecido

conspurcável, a da vontade e desejo divergentes de violar o selo.

não me anulo, se te amo.

há eclipses, quando te amo

e novas fases crescentes.

vejo um destino, neste plano de

amor e sincronia

no meio da calamidade

vejo a gema separar-se da clara.

há refugiados

e a nossa união

que não dá vida,

que não tira vida,

regenera.

não nos anularemos vamos

regenerar , eclipsar, rumar

fase por fase

maré a maré

à luz cheia.

GJ

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