Colecção Primavera

VENDO:

estas quatro peças foram pensadas para ficar juntas para sempre. Vendo as quatro peças juntas.

Informação por mensagem privada.

Dimensões:
1ª imagem – 35.5 cm larg x 22.5 cm alt
2ª imagem – 36.5 cm larg x 34.5 cm alt
3ª imagem – 34.5 cm larg x 35.5 cm alt
4ª imagem – 40 cm larg x 63.5 cm altDSCF6863DSCF6864DSCF6866DSCF6867

Tongue

17

 

cinders, cinders,

flacking from your tongue,
mouthing my necromancies
blown to cinders, cinders
‘tween puffs of scant life blown

dust to flesh bred.
Mine’s the art of death
by your artful touch, fate, end.

 

GJ

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Projecção de sombras em festim
Alcançam à distância visões sem fim
Sombras de gato bravo no telhado
Movem-se exuberantes e a medo
Do peso das passadas pesadas
Ignorando se é grande se é pequeno
Denunciado pelo leve ruído
Branco estática intensidade
Ao sol rocha quente,
Dia soalheiro, quedo, dormente,
Bebe da noite água mole
Que corroa a inquebrável corrente
Castradora da intuição insurrecta
À falta de chave que a liberte.
Que mente que sente, mente,
Que é diferente e vê e crê somente.

 

Medo

Faço o funeral ao medo.

Não me recordava,

desde que percebi

de que em pequeno

rodeado de medo

e morte me vi,

até a morte ser medo.

Medo é errado.

Medo é bom.

Fatalidade era costume

ateado em brado lume

encostando-me, assombrado,

à alucinação fantástica

das maravilhas da infância.

Até me saber só

nada percebia do logro

da tristeza e seu ócio.

Do vício e do dó

evidenciaram-se as rédeas,

arreando o desejo,

desejando ser só,

de uma só vez, todo só.

A perda é uma cela.

Medo é doença.

Perto de revelações, penso,

que o mundo cabe no meu abraço

e se o destino é finar,

que me esgote eu sem pesar.

Lava

Eis que no meu peito

corroído pela lava

rebentam águas salgadas

 

banho-me nas furnas

da cravada ilha alva

cuspo de vulcão desfeito.

 

Se em pecado ouso,

dai-me à rebentação.

Vem da perdição, logro,

momentum e sensação.

 

Se pedras forem castigos

dados aos tarados nos pelourinhos,

se os demónios forem desiguais

envenando n’Olímpo os gigantes divinais

 

Abalo com as tuas pedras

o teu templo herético

selo o teu jazigo helénico

c’o horror dos cubistas.

 

Se em pecado ouso,

dai-me à rebentação.

Vem da perdição, logro,

momentum e sensação.

Prostra os forasteiros,

bebe tu meu mar, o meu sangue.

Por pecados que apenas eu me castigue

ardendo na lava do meu peito.

Rígel

‘Respira fundo, pelo nariz, enche o ar de pulmões, expande a caixa torácica, prende o ar lá dentro’ – ouço as reticências dela a marcar o tempo, a cadência da inspiração retida e da exalação soprada – ‘e solta agora o ar pela boca, com força’ – ordenou-me, com a mão no meu peito, esvaziando-o como um balão deitado no colchão d’água. É como flutuar, é como tapar-me com cimento, como enterrar-me num sono consciente. Inalei fundo toda a tranquilidade que não conheço. Exalei toda a desarmonia e desordem. Algures na transfusão pausada e cadenciada, na suspensão encontrei yin e na roda viva yang.

‘Concentra-te na minha voz’, lembrou-me, ‘Vou iniciar a contagem decrescente de dez a zero. A cada número, descerás um degrau. Olha à tua volta, vê onde estás. Vês as tuas escadas? Já aí estiveste’. As escadas eram, de facto as mesmas. O mesmo corredor sombrio e limpo, cujas paredes que encolhiam em ângulo agudo para as escadas amarelavam e gretavam, apenas iluminado à minha passagem, à falta de tochas, candeias ou algo tão banal como electricidade. Ao virar o corredor em caracol para as escadas encontro o mesmo brilho azul e difuso, gelo e neve e luar. É por aqui que desço mais e mais para o meu abismo. ‘Dez’, e desço o degrau. Não se sente nada, o gelo é gelo e o túnel forma-se. ‘Nove’, e desço outro degrau. Andei uma vez numa montanha russa na grande feira popular de Viena, onde as carruagens entravam num túnel estreito, a luz apenas mostrava a boca da serpente, para dentro só escuridão. ‘Oito’, desço outro degrau, desta vez com receio de escorregar. ‘Sete’, desço. A imaginação é algo poderoso. Aqui estou eu, representação de mim mesmo no meu subconsciente, nu. ‘Seis’, com um pé ainda no degrau anterior. Estou nu a descer escadas com degraus contados. Arquitectei bem a minha toca, tudo arrumado e funcional. ‘Cinco’, ainda que permaneça uma divisão mórbida da minha consciência, encanta-me. Desço. ‘Quatro’, desço com receio de me esquecer de descer. Mesmo agora ao molesto-me por me permitir trazer medo para casa. Depressa acabo com a pestilência do medo no meu santuário fortificado, onde não há escutas nem privação, apenas segurança e mundivivência. Poder ultrapassar limites de visão e alcance. Perscrutar o universo, projectando-me além da atmosfera e abaixo de mim mesmo. ‘Um’, merda! Três, dois, um, desço. Enquanto desço perco as escadas e caio hirto numa espiral cósmica, translúcida, líquida, clara de ovo e leite diluídos em água e ondas neónicas, boreais e sol.

‘Concentra-te na minha voz, guiar-te-ei’, olhei para cima enquanto caía, olhei para baixo tentando perceber onde ia cair. Ouço-a, estou cá e lá, mas noutro sítio. Querendo, viajei mais além das indicações dela. Escorreguei para os olhos de uma baleia, que me mostravam constelações e mais escuridão do que alguma vez conheci. Um vazio avassalador que reanimou o meu corpo cósmico, sem mãos nem pés, apenas veias e terminais luminosos, sem carne, apenas plasma, um ovo, um embrião na teta que tudo o que existe alimenta. De onde venho ninguém tem lar e no frio onde moram os diamantes do céu terrestre encontro o remédio para a minha amargura de filho abandonado. A esfera é feita de um tecido macio, quente, vivo. Um hemisfério sólido, branco, outro invisível, revelador de uma noite onírica. De dentro surgem figuras sem corpo ou membro, ligadas ao navio, brancas, com os mais profundos olhos negros, duas bolhas negras onde cabem os olhos dos humanos. Quem são? Acariciam-me com ondas de calor, com carinho e saudade e consigo aceder a tantos segredos nos olhos que entram nos meus, consigo intuir a missão que me foi entregue sem consentimento ou permissão. Sou, de um só golpe sem piedade, abortado para fora da nave, caído numa realidade vermelha caótica, de destruição e medo. ‘Não permitirei medo’, penso, emboscado por ventos solares que me elevam e se alojam em frequências nucleares irrequietas, emitindo faixas de luz pelo meu corpo de plasma, ensopando as ramificações que tomo por membros de nano estrelas.

Sou violado pela luz mais dolorosa e justa, elevando-me na atmosfera bélica que vim para derrubar e domar. Na inexistência de som, sentia-me a gritar lamurias de super novas, enquanto sorvo pela boca toda a matéria. Expludo luz de todos os terminais, desfazendo-me em poeiras que reflectem o universo. Irradio explosões de luz em mantos que cobrem a realidade que fui enviado para extinguir. A luz roça os astros circundantes, a luz que sempre trouxe e que se uniu ao concílio dos astros para banir o medo e a miséria. Assim nasci, memória da vitória sobre os limites. Luzindo mais bravo e completo, terminado. Rígel.

Lilith

Cresce-me a luz da dúvida na fronte. Mal me toca a carícia da intuição, que cego me fiz, dançando valsas e cortejos só, à confiança dos sentidos, de olhos fechados, com o fantasma do meu agora reencarnado desânimo. Cresce-me a necessidade de usar palavras. Palavras que silenciara e trocara por adornos de realeza perfurando a pele macia, quente, fugaz, violeta. Palavras trocadas que cimentaram bases de paz. Cresce-me o impulso, empunho suspeitas prontas para me flagelar, suspeitando do meu objecto e da minha suspeita, vocifero as hipóteses que tecem as três bruxas da minha introspecção, que me fazem companhia, alienação, solidão, mania. Afogo-me em retratações, entre cláusulas que assumo para comigo com rigores e temores.

Cresce-me na fronte a sombra da perda, sobre os olhos que procuraram com ambição e não folhearam os capítulos soprados pelo vento pestanejado pela rapidez vigarista de olhos desassossegados. As palavras voam no silêncio de segundos, no desmaio da minha crença. Alço a batuta, em repetido alívio e flagelo, sangro, soo o alarme do descontentamento, largo os uivos da suspeita que me desenlaçaram do sacrifício do orgulho, do suicídio do medo. Findo-me com as palavras que te convocam, que te acusam para me justificar tão inquieto, tão incerto.

Digo apenas que amarias o meu corpo conforme dizes de tua vontade, não amando, amarás outros na rebentação, que és volátil impressionável Vénus e serei eu ardido Vulcano, trabalhando o aço azulíneo para te desbravar as amarras do egoísmo ácido que atiras sobre o meu peito descoberto.

Atravessa-me a fronte, eclipsando a manhã da razão, uma Lilith maligna que me destrona do bom julgamento, em velhas lembranças, na velha cegueira impotente, de amarguras imprevistas. Cumprindo-se o presságio adiantado pela melancolia, farei minhas as lágrimas seguradas de Adriano, pelo fúnebre brilho que se abate no meu olhar afogado pela perda do teu níveo frescor.

Auto-reflexão

Acabei de ouvir uma coisa acerca da auto reflexão que se pode ligar a escrita como meio. É como falar com um amigo, à procura de conselhos, quando aquilo precisamos é de olhar para nós mesmos. Fazendo-o com esse intuito, sem resistências e questionando, por pior que seja a verdade a que evitamos chegar, encontra-se um conforto melhor do que indulgencia e negação. Nenhum amigo verdadeiro nos mentirá, mas se perguntarmos às nossas consciências, a menos que corruptas, vamos ouvir o que não queremos, e ai reside o valor da auto-reflexão. Saber tirar proveito e aprender e a verdadeira aventura do auto conhecimento.

 

GJ

Autoretratos / Self portraits

Depois de um longa semana cheia de novidades e muito que fazer no mundo lá fora, todas as horas livres foram passadas da melhor forma, possibilitando-me maior foco. Meti-me a desenhar umas ideias que andavam aqui a pairar há bastante tempo e a relembrar-me que não lhe estava a dar atenção e que estava a ser preguiçoso.

After a long and eventful week with a lot of work all my free time was spent in the best way possible, allowing me to be focused. I began drawing some ideas I had floating over my head for a long time which kept reminding me I wasn’t tending to them and that I was being lazy.

Como sou o meu único modelo, usei-me para praticar desenho de corpo e estudar sombras e texturas, daí que tenham surgido alguns autoretratos, como estes.

As I am my own model I draw myself to study body drawing and shadows and textures, hence the making of these self portraits.

 

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GJ

Licantropia / Wolf Moods

Depois de um longa semana cheia de novidades e muito que fazer no mundo lá fora, todas as horas livres foram passadas da melhor forma, possibilitando-me maior foco. Meti-me a desenhar umas ideias que andavam aqui a pairar há bastante tempo e a relembrar-me que não lhe estava a dar atenção e que estava a ser preguiçoso.

Aqui estão três interpretações do lobo, com estados de humor diferentes, interpretados pelo movimento.

After a long and eventful week with a lot of work all my free time was spent in the best way possible, allowing me to be focused. I began drawing some ideas I had floating over my head for a long time which kept reminding me I wasn’t tending to them and that I was being lazy.

These are three interpretation of the wolf, in its different moods, conveyed by movement.

 

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GJ

O vinho

Le Vin des amants

Aujourd’hui l’espace est splendide!
Sans mors, sans éperons, sans bride,
Partons à cheval sur le vin
Pour un ciel féerique et divin!

Comme deux anges que torture
Une implacable calenture
Dans le bleu cristal du matin
Suivons le mirage lointain!

Mollement balancés sur l’aile
Du tourbillon intelligent,
Dans un délire parallèle,

Ma soeur, côte à côte nageant,
Nous fuirons sans repos ni trêves
Vers le paradis de mes rêves!

Charles Baudelaire

 

Mal acabei a minha última aula, de a ensinar isto é, pus-me a caminho, a pé pelo Saldanha para a Estefânia, descendo para o Campo Mártires da Pátria. Cheguei meia hora mais cedo, senão pelo vinho, que ali servem bem. Em Março, ao frio, um copo de vinho tinto e o último cigarro daquele maço desfizeram a primeira meia hora e As Flores do Mal desfizeram a segunda.

Já chega!, dizia eu a molhar os lábios no segundo copo, nunca mais me apontam o dedo por chegar atrasado seja àquilo que for, eu que aqui estou há uma hora à espera.

Fecho os olhos a beber, fecho os olhos a passar fumo, entre vistas abre-se a porta com um sopro duro de frio que logo se enevoou ao encontrar os bêbedos da casa. Chegou e pediu desculpas, sem dar grande importância, enrolando-se numa história que não me incomodou ignorar, enrolando-se numa história que não me incomodou ignorar. Não somos amantes, não obstante uma e outra tentativas passadas. O vinho clama pelo meu amante longínquo, que me guardava em segredo. Chamei pelo vinho que me lavava a língua o seu nome, seis vezes exactas, parando aquando à hora do fecho pela noite a correr não veio. Gradualmente, o pó estático que sustentava a sua ilusória presença a meu lado assentava no chão e as luzes apagavam-se.

Ao terceiro copo, depois ter articuladamente respondido a todas as perguntas de que se conseguiu lembrar de me fazer, virei o jogo com apenas e tu? Garanto que ouvi até ter a certeza de que um bem ou um vai-se andando fora dito, introduzindo a sequência de insólitas desgraças do costume, ensopando a língua de vinho, que em tons raros de canela me abriam o apetite.

O quarto copo cheirava a Douro. Nas palavras que agora a recordavam o passado em que mergulhei na noite revolta e chuvosa sem me afogar. Sorvi daquele vinho as notas para cantar quatro Stornelli Romanesche aprendidas em tascas, em barcos e bacanais e ainda mais uma, trazida na gota escorrida pelo pé do quinto copo. Più seeeeeemo e mejò staaaamo, tremeu-me na voz límpida pelo aperto na garganta que a assobiava. Do balcão, os velhos bêbedos saíram sem pagar; dos assentos, o casal que menosprezava a intimidade do silêncio ofendeu-se com o regalo barítono que lhes interrompeu a conversa fatigante, o regalo generoso trazido pelo vinho amoroso que tão doce me deixou. Dançávamos em cima da mesa. Juntos dançámos aquela ágil troca de pés que amolgou a mesa de pinho. Caí. Perdi. Carregou-me.

Quanta amargura amaciada pelo mosto sadio! Olhava pela janela ociosa do pendura a Lisboa que já não fazia sentido, chupando dos dentes o último gole de vinho que chamasse o seu nome.

 

GJ

let me out of my mind

Let me trip, let the colours bring back the thrill, let me fly, let me dive, let me be super human, vanish from here to there, start all delayed human things from scratch to finish, let me float bare above your heads and rain down on you, let me wear a different skin, let me be purple, white polka dots, neon like or pitch-black, let me touch the sun and melt it for good, let my eyes shine, let my body glow, let me out of my mind to remind myself nothing existing matters.

GJ

I needed to vent, write a condensed paragraph with all the information, instead of a long structured, skillful text…

A presunção da autobriografia

Au Lecteur

C’est ici un livre de bonne foi, lecteur. Il t’avertit, dés l’entrée, que je ne m’y suis proposé aucune fin, que domestique et privée. Je n’y ai eu nulle considération de ton service, ni de ma gloire. Mes forces ne sont pas capables d’un tel dessein. Je l’ai voué à la commodité particulière de mes parents et amis : à ce que m’ayant perdu (ce qu’ils ont à faire bientôt) ils y puissent retrouver aucuns traits de mes conditions et humeurs, et que par ce moyen ils nourrissent, plus altiére et plus vive, la connaissance qu’ils ont eue de moi. Si c’eût été pour rechercher la faveur du monde, je me fusse mieux paré et me présenterais en une marche étudiée. Je veux qu’on m’y voie en ma façon simple, naturelle et ordinaire, sans contention et artifice : car c’est moi que je peins. Mes défauts s’y liront au vif, et ma forme naïve, autant que la révérence publique me l’a permis. Que si j’eusse été entre ces nations qu’on dit vivre encore sous la douce liberté des premières lois de nature, je t’assure que je m’y fusse très volontiers peint tout entier, et tout nu. Ainsi, lecteur, je suis moi-même la matière de mon livre : ce n’est pas raison que tu emploies ton loisir en un sujet si frivole et si vain. Adieu donc ; de Montaigne, ce premier de mars mil cinq cent quatre vingts.

Montaigne

Montaigne assim enceta a introdução de “Les Essais”, cujo conteúdo é ele mesmo, onde se quer mostrar na forma mais verdadeira. Dirige-se aos amigos, sobretudo, aos familiares com qualquer violência, um pouco de rancor, em advertências e justificações, como um animal selvagem amedrontado e indefeso, encurralado… ou será antes um homem prestes a cumprir a vontade de ser mais transparente sem fazer dos leitores reféns de quaisquer dúvidas que a autobiografia, nos seus momentos mais obscuros, pudesse levantar? Ele mostra-se, não sem antes avisar que o fará intencionalmente.

Este é cá dos meus, um livro aberto com intuito de o ser, contando apenas o suficiente para não ser demasiado. A resposta à provocação do título: quão cheios serão os tomates daquele que se atreve a escrever, publicar e endereçar uma autobiografia para achar que alguém se importa? – não é por acaso que se dirige aos amigos e família: aqueles que nos ensinam que, por muito bem que conheçamos alguém, nunca conhecemos ninguém verdadeiramente. Ele vai dar esse gosto ao clã dele, quer o amem ou amem menos do que ele, ao que já sabem o suficiente para querer saber o resto.

Publicaria uma autobiografia? Nem eu quero saber…

GJ

De a) a B) pela zebra

A forma como encaro o decorrer dos desafios e desaires de todos os meus dias pode-se equiparar ao simples acto de atravessar a estrada.

O hábito propõe uma preparação de largos anos, em que antes de me dirigir algures e me cruzar com as gentes e as coisas que desconheço e com as quais coexisto, todos os gestos, todos os actos, me avivam a memória de como chegar de a) a b), cada passa ecoa no corredor para a rua num rufar arrastado avenida fora, que me permite avançar.

Se o caminho está desimpedido, avanço.

Se o meu ritmo se combina com os que comigo se cruzam, avanço, jamais parando.

Se não há travessia, avanço, a meu próprio risco.

Se vindos de várias frontes, os perigos, seguidos, apressados, sigo sem que me vejam, sem interferir, para prosseguir, porque apenas posso avançar.

GJ

24 hour 180º

Deep into the last half hour of Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith I was fighting a mighty battle with an insidious melancholic train of thought, eschewing it to the back of the back of my mind, as I pushed harder to focus on the movie. None of us spoke during, we just held hands, lightly caressing each other’s sweaty palms, until you closed your hand tightly, allerting me there was a great scene coming up, but I confess I had lost the battle and hopped on the train.

It started during the previous movie. Anakin stood in front of the Jedi Council and Yoda saw through him that he was filled with fear, which later on made him vulnerable to the Dark Side of the Force. With that Yoda explains further on Fear leads to anger. Anger leads to hate. Hate leads to suffering, and advised Train yourself to let go of everything you fear to lose. Damn that Yoda! I was enjoying finally having a moment only for ourselves, watching and learning about your favourite sequel, I was glued to the screen with enthusiasm, until that peevish booger threw me off the space odyssey wagon onto an utterly uncomfortable box of sharp question marks. It was right there, directly from the speakers to my ears, what I had been avoiding meditating on, thinking about, why I was jumpy to the tought of being away from you. The truth is, we have been away for a while now. For as much as we want to sugar coat it, the last three months were, in reality, 6 days, the sixth being the last one, when I said goodbye at the bus stop and watched it take you home. There’s a gap fundamentally unspoken here, you get to go home and I get to mend myself for a couple days until I can focus on something else, misplaced in a house with a profound lack of familiar warmth.

After Master Yoda’s quaint observation I delved into it concerning our situation, whilst trying to, at least, understand what was happening in the movie. So, Anakin burned, Amidala gave birth, Lord Vader was created, I had been afraid of moving far away from you and was worried about the costs of my absence,  about the distance, the constant longing, the wistful thinking, the fear of losing you to the distance. You see, miracles in my life happened by you. I don’t matter.

I joined you for lunch, which was left unattended ‘till late that day, before the movie marathon, followed by the short in time yet rich in intensity night which rendered a mellow morning with it’s contractual hour of bleak bliss, denial and love making. We watched The Force Awakens and we didn’t spoil the leading moments to your departure speaking about the distance. Later that night I watched Fellini’s Satyricon, chewing my tongue in distress for not having heard word from you since…

I pray I can learn to let go, but not so much you won’t know how much you’re cared after, for your staying found with me is your personal freedom and my mission.

 

GJ

Dois cafés, um em chávena escaldada

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Se estivéssemos agora a tomar café pedias-me para ir tirar e encher dois copos com água do balcão, para pagares os cafés sem que eu resmungasse. Ficaríamos dentro do café e não na esplanada, na mesa do canto, de frente um para o outro. Terias voltado e estaríamos a falar sobre aquele filme de ficção-científica com aliens e uma Linguista, do outro filme que não é bem Star Wars mas sim uma história paralela, sobre o castelo medieval que estão a construir em França e que vai levar mais 25 anos até estar totalmente erguido, sobre a vergonha que foi a organização dos Jogos Olímpicos e depois, por falar em Brasil, sobre os confrontos entre professores e estudantes com a polícia no Rio de Janeiro, só depois disso contaríamos as novidade boas e más, um diálogo que temos aperfeiçoado, intercalado por olhares cruzados, um sorriso encavacado e um amo-te. Porias a tua mão sobre a minha e falaríamos abertamente de como nos sentíssemos, até o tempo parar nos teus olhos doirados e a bolha estar restaurada. Dali partiríamos para um qualquer passeio, amando-nos pelo caminho, parando para almoçar, descobrindo mais um do outro, um sobre o outro, sem a hora da partida.

Não passaria pelo embaraço de te dizer acerca da minha solidão, não estaria disperso por demais tarefas que me mantivessem no sossego apartado do calor, apressado correr a lista da minha rotineira manhã para começarmos a nossa, enfim, seria a minha prioridade – se hoje te tivesse recebido. Especialmente hoje, que abalou o aperto e se acomodou a pachorrenta alma de lavrador, pois que se por um lado te espero fazendo dos dias poucos segundos, cultivo essa solidão para dela recolher sustento.

É esta a sólida distinção entre solidão e estar apenas só, em que o espírito arde num firme fio para o absoluto no resoluto lavor, e não soprado pela falta. Solidão é meu repouso e meu lar.

Assim seria, ficção ou não, se tivéssemos tomado café hoje.

GJ

“The Gruesome death of Anne lee and Mrs Chauff” a snippet

After her plan was set in motion there was no way Mrs Chauff could’ve guessed her own death. Smitten by her husband’s intentions and motivated by her servant’s plea, she designed a sleek plan, taking advantage from a two-day stay at the summer house, where she would make herself desappear along with Mr Chauff’s male pride and a small fortune, enough to live well with Bantilla, her servant in every way, in South Carolina. That was the plan, although, along the way she got caught up in the middle of the succession of murderous events she triggered and that I’ve watched unravel, getting killed before she could take flight on my aeroplane. If you’re looking for more gruesome details, your honour Mayor Noveno, I can describe you how she did not even scream or suffer when she got her throat slithered, how she meant to kill Anne Lee and with that turning a peachy eventless vacation to the worse ride home I’ve ever cared to experience. Shall I continue – pouring ginger cinnamon tea into a large porcelain cup – in court  – taking a sip – or will you take a seat? – Now staring at the men standing in his study – Do you gentlemen have you tea with milk or cream?

 

***

 

“The Gruesome death of Anne lee and Mrs Chauff” is a short story I’ve started a while ago in portuguese but am now writing in english.

 

GJ

 

Edgar Allan Poe “The Poetic Principle”

Adquiri recentemente os contos completos de Poe, muitos dos quais já tinha lido em inglês, pelo que considero a tradução boa, bem como a obra poética completa, traduzida por Margarida Vale de Gato, que é excelente e faz um livro esteticamente agradável, ilustrado por Filipe Abranches. No entanto, enquanto leitor de Poe, fascinou-me a “Poética” (assim traduzido na versão que possuo), uma longa narrativa acerca do pensamento, estratégia, construção, estética e propósito da poesia.

Penso que foi aqui que Poe se adiantou ainda além do seu tempo, opondo-se ao Romantismo na literatura, defendendo ideais que viriam a interromper a visão Romântica, não podendo mais ser o inconsciente poético voltar ao que era: o princípio poético passaria a ser metódico, sagaz, quase matemático, sensorial e imediato. Bem argumentada, não obstante com várias falhas e falácias no desenvolvimento, mas que  mostra a enormíssima sensibilidade poética de Poe, tornar-se-ia, então, numa muito influente dissertação no literário americano e do mundo ocidental. Alguns consideram-no perigoso pela forma como, de repente, a forma e escola seguiram outro caminho, pela forma como influenciou e desencorajou muitas obras escritas.

Qualquer aficionado de Poe desejaria ler esta composição para ir mais longe na análise integral da obra deste autor. Podem adquiri-lo facilmente, embora a melhor edição a que deitei o olho me tenha sido oferecida e é da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

GJ

Listas? Talvez a playlist do chuveiro

Rectifico o que disse no meu último artigo acerca da viabilidade e real uso de listas. Há uma lista que ignorei e que depois de concretizada me tem servido lindamente. Listar as minhas canções de chuveiro predilectas não foi fácil e revelou algo sobre este hábito: a música serve-me como portal para aceder a emoções vividas em determinado tempo, é uma óptima ferramenta para desbloquear da confusão mental e incomodar os vizinho pela manhã. Detesto os meus vizinhos mais do que eles me detestam a mim. Então:

  • Black and Gold
  • You Know I’m no Good
  • A Change is Gonna Come
  • Green Eyes
  • Sweet Baby
  • Body and Soul
  • Golden Eye
  • The First Time Ever I Saw Your Face
  • Golden
  • Happy Days Are Here Again
  • In My Bed
  • The Miseducation of Lauryn Hill
  • The Chokin’Kind
  • Black Coffee
  • Since I Fell For You
  • Statues
  • I Used to Love You
  • River Deep Mountain High
  • Tenderly
  • Misty
  • Wake Up Alone
  • A Foggy Day
  • Gone Daddy Gone

GJ

Dois cafés e dois copos d’água

Se estivéssemos a tomar café agora eu resmungaria acerca da desnecessária controvérsia do copo d’água ou do copo com água iniciada pela mulher do café mais cheia de chavões do que discernimento. Enjorcarias a tua expressão de carneiro mal morto ao mesmo tempo que revirarias os olhos, a concordar comigo, ainda à procura da cigarreira e do isqueiro. Eu passar-te-ia o cinzeiro e guardaria o livro que teria estado a ler meia hora antes de chegares atrasada, porque o café estaria marcado para as quatro e, farto de esperar, decidi entreter-me. Perguntar-me-ias se não fumava, pelo que teria finalmente oportunidade de partilhar contigo que esse foi outro vício que larguei, faz hoje exactamente três meses.

Tenho a certeza que me apoiarias nessa decisão a dizer que também deverias deixar de fumar, distorcendo a questão para concluíres que no fundo não vale a pena, que sempre soubeste que te seria prejudicial e que não era agora que te ias armar em hipócrita, além de que o café te sabe mesmo bem é com o L&M vermelho do costume. Rir-me-ia com um toque de escárnio da tua observação sobre costumes. Costumes esses que, tal como os vícios, te envolvem numa temporária e exaustiva segurança. Já estarias a olhar para o lado a bafejar, a fazer perguntas desinteressantes a lamentares e facto de já nem teres pachorra para escrever, nem teres assunto para escrever, no fundo, a preparar o terreno para te sentires à vontade para falar sobre ti, sobre o verdadeiro motivo de estarmos a tomar café. Aquilo que não te saberia dizer, por não saber como sem nos deixar em absoluto constrangimento, é que tu precisas de deixar a conversa da coitadinha de lado, que já sei que encornaste o pobre moço porque já não se amam há bastante tempo e que tens vivido uma mentira por teres medo de estar sozinha, mas o outro deu-te tusa e começaste a repensar a tua vida – e quando tomaste uma decisão, não só não te correu bem como ainda pior do que poderias ter esperado. Eu sei disso tudo e não te julguei nem uma única vez, nem quando me perguntaste o que achava se te envolvesses com outra pessoa, estando ainda a reatar uma relação abalada, em que te insultaste a ti própria por considerares tal hipótese. Não te julguei quando, depois de cederes às tuas necessidades, desapareceste, muito menos quando soube que me evitavas por vergonha do que poderia achar de ti. Outro dos vícios que tinha largado aquando a nossa última conversa foi opinar sobre sentimentos que não são os meus.

Começarias por quebrar o silêncio, depois de esmagares a beata contra o fundo do cinzeiro, quente nas pontas dos dedos, queixando-te da falta de tempo para tudo e que não tens feito mais nada senão trabalhar. Eu compreenderia. Dar-me-ias mais não sei quantas razões, eu compreenderia. Nunca me falarias sobre o que te aconteceu, mas far-me-ias entender que estarias a sofrer. Eu mudaria de assunto para as minhas novidades, e daqui para a frente esse assunto não surgiria de novo em conversa, não por ti, mas sim porque não me incomodo em viver no passado.

Já depois de te fazer rir, a mostrar os pequenos dentes presos numa muito roxa gengiva, veríamos as horas e seria já tarde para ti, estaria na hora de ir embora. Despedir-nos-íamos com um beijo na bochecha e um vago até breve, para continuarmos a seguir os nossos caminhos distintos. Assim teria sido, se tivéssemos tomado café.

 

GJ

 

Um soneto para a viagem

Há-de ledo cair em breve o céu vindo a nós enfim.

Sem dor que me moleste declinarei o fim

Pelo raro privilégio de estar só e assim

Sal das gentes e do ego, limpo e longe do motim.

 

Chegará o céu a tempo, pois, de os levar a todos.

Todos os Párias portugal ao céu oferece e

nós ficamos cá porquanto for absurdo

morrer apenas porque o tempo nega a prece

 

prévia que houvera inferno para os felizes.

Podemos na terra crer ou ignorar quais mitos

ritos, alegorias, impunes aos juízes

 

de olhos carniceiros, reflectidos no abismo,

caos ido de outrora em que a nossa paixão bastava

entrever e houvera inferno para nós, felizes.

 

GJ

Carta a Rainer Maria Rilke

ps

 

Mas a sua solidão será um pouso e um lar, mesmo no meio de relações muito hostis, e a partir dela encontrará os seus caminhos.

Therefore, dear Sir, love your solitude and try to sing out with the pain it causes you. For those who are near you are far away… and this shows that the space around you is beginning to grow vast… be happy about your growth, in which of course you can’t take anyone with you (…)

Rainer Maria Rilke

Meu caro,

Detesto saber que estás morto e que esta carta é um bala vazia, mas também apenas Kappus pareceu receber mais que um dos teus conselhos, quando não estavas a mudar de novo de casa ou a morrer de pobreza e doença. Essa é a verdade dos factos que contam, não que afecte a minha admiração por ti. A verdade é sombria para muitos, enquanto que para mim, a verdade não se figura preocupante. Em boa verdade, vivo bem de olhos abertos esta última, inclusive aquela que me incomoda, a de não poder nunca desviar a minha atenção de qualquer tarefa sem encetar um obsessivo interrogatório existencial e a medo tentar responder a todas as questões que ainda não desmistifiquei e que comprometem a minha vontade de existir, a de persistir na pueril demanda de tudo querer resolver dentro de mim. Esta é a verdade dos factos que já eu conheço bem e talvez a venha a aceitar. De entre todas as minhas questões, Rainer, preciso da tua perícia e honestidade para fazer face à minha solidão… Como era, de verdade, a tua solidão?

Nas tuas cartas prevalece a tua boa vontade, a tua eloquente vulnerabilidade e a tua mestria, mas não és sincero. Preciso que me digas o que acarreta afundar-me na minha já instalada solidão? Sou tão amante da solidão aqui como em qualquer lugar, pois então de que me vale partir e deixar o parco pão que me é dado? Porque me devo eu apartar do calor que eu, cão imprestável, conquistei nesta terra inóspita? A que limites foste tu capaz de te arrastar e à tua amada solidão? És capaz de me incentivar ainda agora ou dissuadir-me-ás? O que aprendeste contigo mesmo senão o que já sabias? Quanto espaço privatizaste entre ti e nós os outros? Quantifica-me a tua paz de espírito. Longe de escrutínios e ainda tendo de passar pelos fretes do dia-a-dia, digo-te que sinto mais a solidão como a tal cruz de que falas em carregar, solidão dentro da qual, acolhido, lambo das maleitas a minha cura, e por isso questiono incessantemente, até o frenesi acabar e então a vida fora de mim é apenas uma ilusão, quebrada por outra pergunta. O que muda? Qual a razão de ser? Porque devo alimentar esta alienação? A mim parece-me que tiveste mais ajudas do que alguém como eu tem direito a ter. A mim parece-me que és um charmoso e inspirador homem, bem como um grande aldrabão… e no entanto levantas uma boa questão: temos de enfrentar o nosso crescimento sozinhos. Pois, ninguém o fará da mesma forma e talvez a interferência atrofie o nosso desenvolvimento, talvez sacrifique um maior futuro, enquanto que em total solidão apenas nós podemos interferir e agir de acordo com o que é do nosso melhor interesse.

Quase que te consigo ouvir a reflectir sobre os meus devaneios cortantes, ainda sim, incapaz de ser genuíno. És um cobarde. Tenta, pelo menos, ajudar-me nesta última questão. Fico onde estou e ignoro o que poderia vir a ser das oportunidades de partir, contando comigo apenas como porto de abrigo e, segundo os teus ensinamentos, ser um homem mais completo e sábio, ou parto ignorando que até hoje aqui amadureci, contra todas as adversidades? Tiveste de responder a esta questão, no teu tempo de vida? Tanto quanto me é possível observar, terei de fazer à tua maneira e descobrir o que melhor me serve, pois não sei se não terás trilhado este mesmo caminho e optado por outro, pelo teu, aquele que te trouxe até mim. Foi coragem ou cobardia?

Não precisas de me responder para já, eu não te quero ver tão cedo.

Teu,

GJ

Projecto paginação, ilustração e encadernação de livro infantil

Um dos projectos da minha recente formação em Design Editorial foi paginar, ilustrar e encadernar um livro infantil, sendo a encadernação elemento opcional de projecto mas que abracei com entusiasmo. Aprendi muito neste projecto, com a orientação da excelente ilustradora e professora Mariana Viana, tendo apresentado o resultado final à muitíssimo querida artista Danuta Wojciechowska, grande ilustradora para crianças.

A história que trabalhei é da autoria de Margarida Castel-Branco, os títulos das outras duas capas fazem parte da mesma colecção.

 

GJ

 

More than space

When it comes to writing I need more than space, I need preparation, silence and solitude.

It’s sunday, I start my day with a good strech, a very bumpy walk to the kitchen where I have a tall glass of water, followed by a healthy breakfast washed down with a mug of coffee. Cleaning and tidying up come first, nothing else is done before the bed is made and looking neat. A quick lukewarm shower and body care routines after the morning workout only. By the time I’m fully clothed and ready, the floor is clean, everything is in place and there’s nothing else to take care of, so I can pull the blinds all the way up and let the morning sun fill the room, open the window and let the air circulate. It’s summer and I have a fan pointed at my face, nonetheless. I sit down and put on classical music, I do my reading, I take my minerals, I have fruit and water with me and when I’m done reading articles and the daily news, I stick to writing.

The room is lit up with sunlight, the music is soothing, the place is in order, in my desk the computer is on although I write and edit on paper, the books I’m studying and a translation I’m working are here to remind me of what’s to do next, probably right after lunch, and a to complete drawing book rests next to the pencil and rubber to relax in between activities. The drawing materials are stored right next to me, so I don’t really have to move a lot. It’s risky to work in my bedroom, but it’s the safest place with everything I need to work with, plus it has my smell and vivid memories, it is fully charged with my obsessions and tokens of love, life and inspiration.

This is my workspace.

***

I have a request for you. If you made it this far, I’d like to hear what you, fellow blogger, reader, lovely person, would suggest me to write about. Anything, really. In exchange, I’ll provide. For best results, make sure to trully challenge and send your suggestions through the contact form on the link bellow.

Thanks a lot and have a great one!

 

SEND YOUR SUGGESTION

Deaf Splash of Growth

 

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I’m feeling full today, I can’t stomach any food, so I’m making a soothing warm soup, plenty pumpkin, squash, turnips, carrots, beets, a little ginger and a handful of fresh minced mint. The sizzling hot day turned the roads and sidewalks into radiators, the air is thick and hot at eight pm. As I sip on an icy cup of ginger tea the soup is cooking and the water is reaching boiling point, foaming, lifting the lid, while in the sink water is dripping, from the tap that needs fixing and its constant dripping sets my teeth on edge. It took only one drop splashing on the already large pool formed by the leakage, splashing into a few more droplets, to send me back to the time when I believed whatever would happen then would shape my whole life. Whatever happened before and after I realised the truth didn’t shape the rest of my life, whatever happened on those blissful days spent in hidding, in young love didn’t define me –  that’s the story.

It was, after all, young love, utter and unnerving short sighted bliss, that encouraged me to spend my days in longing, waiting for my lover to come back, parting ways at the train station and staying close for when the time came up being faithfully there to walk back home together. That last day I wondered ‘round the valley and up the ridges in Sintra, I still know the trails by hand, all of them. I had the camera with me, as well as bag with books, water and fruit. As the day progressed, the cartridge filled up with photos, the bag filled up with flowers I had been collecting and the books remained untouched.

At dawn, I sat nearby the train station, at an oddly crowded location. I could see the house in the valley from the belvedere, I dreamt about the future living there, grazing the wild flower bouquet resting on my lap. Famished and thirsty, could barely hold myself, there was still no sign, no familiar grin surfaced from the hasty croud getting out of the train. The night rose quickly and damp, with a thin coat of fog which soaked up the tragedy in alluring gusts of heavy, bleak, perfumed wind.

I was left alone and I knew already then wallowing in loneliness was not on my plans so I left alone and dropped the flowers in a sort of shy gesture.

Today I’m a little faint from both the heat brought by summer and all my loving and affection, having a little bit of a weak stomach from loving deeply and having nothing even remotely as heavenly to treat myself with, spending my days writing endless love letters with everything I do, fueled by it, sipping on unimaginable quiet.

By the fountain, at the ridge, I took a while to absorb the nature around me, just sit down and listen. The water flowed dully and silent from the canals to the fountain. Only the sound of the drops from the water dully and almost criteriously splashing on the rocks dripping on the wavering water could be heard. I spent the night.

 

GJ

Colher

Dei ao mar, caído da minha jangada desenlaçada pela minha própria mente turbulenta.

É certo, antes de arar queria colher como antes de perguntar queria já saber. Quis sempre vencer a corrida contra mim mesmo e adivinhar-me antes de o tempo ter corrido. Colher-me-ia o tempo ainda desmentido, que não existia, e voltaria para me questionar ininterruptamente e estar todas as vezes errado, todas as vezes todas as manhãs, todas as perguntas respondidas, todas as certezas desfeitas. Esta eternidade teve um fim contigo. Quando me mostraste a cor da minha pele e a vi clara como água aceitei a vibração do laranja que me ardia na vista turva da água salgada, quando mergulhado estive, quebrados a cada nó da maré os meus ossos, sargaço do mar, quando me colheste e respondeste à pergunta que se afogou comigo, trouxeste a manhã irrepetível.

Juntos desmentimos o tempo, repetimos manhãs em que buscamos tudo do conhecimento e ficamos em flor e ora em fruto, nos ramos rebentamos em flores, e então em frutos.

GJ