O que é o Alienatio e porque existe?

Olá a todos e bem-vindos a um novo ano.

Comecei este blog em Dezembro de 2012, num período de grande produtividade escrita e criativa, para expor algumas das coisas que me eram importantes, e porque queria testar a reacção ao que escrevia, desenhava e produzia, partilhar conhecimentos e informação. Numa fase de maior auto descoberta, de procura de identidade, algo muito muito pueril se traduzia na indulgência com que publicava, mas foi com essa mesma prática intensa que fui descobrindo cada vez mais acerca do que me é vital. A minha vontade era de me exprimir pela escrita, o canal que mais usei ao longo dos anos, é uma ferramenta recorrente, mas logo quis encontrar mais formas de o fazer. Explorei o que queria explorar, e assim explico os grandes espaços de tempo entre publicações, aprendi e voltei para me partilhar. Da fotografia ao desenho, da escrita à leitura, de ideias e inspirações à materialização dos mesmos, aqui tenho vindo a publicar a minha evolução, a maturação do meu desejo de expressão.

Tive 3 blogs antes deste, com escritas avulsas e que publicava quando me apetecia, porque escrevia com regularidade sobre coisas variadas, mas uma vez que me foquei em escrever sobre matérias de foro íntimo e difícil de moldar, por entre metáforas e símbolos selei a minha escrita em peças mais belas do que os meus pensamentos. Do amor ao desgosto da existência, muitas palavras verti em pedaços que considero lições. Mantenho alguns assuntos apenas para o papel, apenas aqui partilho os resultados finais, respostas às perguntas incessantes e nada ficcionais da minha consciência.

Envolvi-me na procura, consumo e publicação de cultura, interesso-me por várias áreas do saber e da arte, e quis ir à procura de mais, para publicar volumes distintos de informação visual e sensorial, do primitivo ao clássico à percepção moderna, observando o esquecimento da evolução do pensamento no tempos decandentes que vivemos. A guerra da consciência é grave, hoje, e através da história a consciência encontra um espelho. Hoje foco-me no processo editorial, nas escolhas empáticas que digam ao meu leitor que falo (falamos) de assuntos sérios, da vida interior para a exterior, o que há em nós que não tem lugar no mundo porque assim o nosso conforto, o isolamento, pediu. Somos tão grandes potenciais encarcerados em medos. Nem a Idade Média parou os grandes pensadores de buscar a grandeza do espírito, de buscar e conhecer o Mundo, buscar a paz de espírito, de cultivar a activa e permanente busca de conhecimento e o uso da razão. Faz-nos falta respirar e Viver com Amor – e livre de noções esotéricas assumo-me sapiente de que viver com amor é a mais lógica forma de viver, a que mais promove saúde, tanto para nós enquanto indivíduos como para nós enquanto sociedade separada.

Estou por cá para partilhar e para vos mostrar o que surgirá.

 

GJ

DesRazão: o livro, o contexto, a explicação, o casamento deste blog em livro.

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… percebe-se hoje nitidamente que a loucura nunca poderá enunciar a verdade da arte, assim como nunca a arte terá como enunciar a verdade da loucura (…) Esse desatino vê-se ligado a todo um reajustamento ético onde o que está em jogo é o sentido da sexualidade, a divisão do amor, a profanação e os limites do sagrado, da pertinência da verdade à moral (…) quis o destino, infelizmente, que as coisas fossem mais complicadas. E, de um modo geral, que a história da loucura não pudesse servir, em caso algum, como justificativa e ciência auxiliar na patologia das doenças mentais. A loucura, no devir de sua realidade histórica, torna possível, em dado momento, um conhecimento da alienação num estilo de positividade que a delimita como doença mental (…)

A internação clássica enreda, com a loucura, a libertinagem de pensamento e de fala, a obstinação na impiedade ou na heterodoxia, a blasfémia, a bruxaria, a alquimia – em suma, tudo o que caracteriza o mundo falado e interditado da desrazão.

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Olá, sê bem vindo.

Deixa-me falar-te sobre um livro que foi chamado DesRazão. Este livro foi publicado e publicamente apresentado este ano, há alguns meses, e, desde então, desde o momento em que nasceu, já passou por várias mãos. Os que estiveram presentes no dia da apresentação ao público puderam escutar e conhecer a origem do livro, de que se trata, qual o propósito, numa óptica muito pessoal como, aliás, se pretende que seja a leitura de poemas carregados de leitura nas entrelinhas desfasadas de pretensões. É um livro leve, com poemas seleccionados, um livro simples e de fácil manuseamento, vem ilustrado e prefaciado. É uma colecção de pensamentos e lições, a expressão de uma voz consciente da desrazão, que ganhou poder ao conquistar essa mesma consciência, quer apelar à desrazão de quem o ler, convidando o receptor a procurar ou a afirmar-se – em última análise, o questionamento e a repulsa também são reacções. Procuram-se reacções.

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DesRazão

Passados os tempos da publicação e da modéstia envergonhada da distribuição, da estranheza do feedback, enfim, do início, este livro começa novas viagens.

Em primeiro lugar achei devida uma apresentação formal neste blog e aos leitores virtuais. Um livro não vive sem leitores e o leitor precisa de contexto, precisa que lhe seja mostrado o próximo livro.

Em segundo lugar, este meu estimado blog faz anos este mês, e esta é a celebração ideal!

Em terceiro lugar, porque vejo que preciso de divulgar cada vez mais, disponho os livros num espaço físico para compra, vejamos, no fundo para dar aos exemplares uma casa e seguir com o plano de capturar reacções.

Esta é a visão do livro, é a melodia com que foram compostos os poemas, este é o meu propósito.

Deixo-vos com um preview do livro, no link abaixo!

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GJ

https://www.behance.net/gallery/30432535/Desrazao-Poemas-Poems-2015