Tongue

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cinders, cinders,

flacking from your tongue,
mouthing my necromancies
blown to cinders, cinders
‘tween puffs of scant life blown

dust to flesh bred.
Mine’s the art of death
by your artful touch, fate, end.

 

GJ

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Projecção de sombras em festim
Alcançam à distância visões sem fim
Sombras de gato bravo no telhado
Movem-se exuberantes e a medo
Do peso das passadas pesadas
Ignorando se é grande se é pequeno
Denunciado pelo leve ruído
Branco estática intensidade
Ao sol rocha quente,
Dia soalheiro, quedo, dormente,
Bebe da noite água mole
Que corroa a inquebrável corrente
Castradora da intuição insurrecta
À falta de chave que a liberte.
Que mente que sente, mente,
Que é diferente e vê e crê somente.

 

Bacalhau Basta

A vida não vale nada
e a morte vale ainda menos
mas quando é a nossa vida
vale aquilo que fazemos
desde o dia em que se nasce
até à noite em que se morre
é com aquilo que se faz
que o caminho se percorre
e se a vida é para ser gasta
vamos gastá-la a preceito
para quem é bacalhau basta
para quem é bacalhau basta
mas que seja bacalhau bem feito.

Sérgio Godinho, Bacalhau Basta