Colecção Primavera

VENDO:

estas quatro peças foram pensadas para ficar juntas para sempre. Vendo as quatro peças juntas.

Informação por mensagem privada.

Dimensões:
1ª imagem – 35.5 cm larg x 22.5 cm alt
2ª imagem – 36.5 cm larg x 34.5 cm alt
3ª imagem – 34.5 cm larg x 35.5 cm alt
4ª imagem – 40 cm larg x 63.5 cm altDSCF6863DSCF6864DSCF6866DSCF6867

Tongue

17

 

cinders, cinders,

flacking from your tongue,
mouthing my necromancies
blown to cinders, cinders
‘tween puffs of scant life blown

dust to flesh bred.
Mine’s the art of death
by your artful touch, fate, end.

 

GJ

90824407_3377350785627084_4070259224163123200_n

 

Projecção de sombras em festim
Alcançam à distância visões sem fim
Sombras de gato bravo no telhado
Movem-se exuberantes e a medo
Do peso das passadas pesadas
Ignorando se é grande se é pequeno
Denunciado pelo leve ruído
Branco estática intensidade
Ao sol rocha quente,
Dia soalheiro, quedo, dormente,
Bebe da noite água mole
Que corroa a inquebrável corrente
Castradora da intuição insurrecta
À falta de chave que a liberte.
Que mente que sente, mente,
Que é diferente e vê e crê somente.

 

Dopamina

Sendo feliz quanto baste e não sendo triste, estou normal. Tenho saudades da minha dopamina. Para os menos conhecedores ou não tão fãs de neurociência, a dopamina é um neurotransmissor, estimulante do sistema nervoso central. Estímulo, prazer e vivacidade estúpida, é o que dá a dopamina. Dá muito jeito para sorrir, para correr, para trabalhar e foder bem. A vida é melhor com níveis equilibrados e produção saudável de dopamina.

O médico disse que há alimentos que estimulam a produção de dopamina, incluindo feijão, mas eu sou mais de comer torradas e café para levar, e depois vê-se. Talvez passe a comer sopa nos tascos que vou encontrando por Lisboa, daquela temperada com a imprescindível rodela de linguiça rançosa. Então ele disse-me que não tenho mais dopamina porque gosto muito de beber café e que o chocolate não substitui uma boa dose de alegria. Ele lá com aquela fala mansa o que me disse, na verdade, foi que não sou mais feliz porque gosto muito de não ser feliz. Pareceu-me uma grande falácia, mas a correlação era algo lógica. No entanto, já que sou um tipo razoavelmente vazio de emoções fortes, não compreendi. Ele receitou-me alegria, deu-me uma palmada seca nos ombros, olhou-me nos olhos e contraiu os lábios, que se enrugaram, como um ânus rosado. Fiquei algo confuso e uma certa adrenalina reagiu ao meu medo e retirei-me vagarosa mas maquinalmente da frente dele, para fora do escritório.

Sem mais vontade do que o costume adquiri uns comprimidos hermeticamente fechados num frasco, inócuos, jamais tocados, alinhados e uniformemente redondos, lisos e brancos.

Até ver, mal não me fizeram, e já me vim duas vezes, entre refeições, hoje. Já passo bem sem jantar, mas vou começar e acabar todas as tarefas da semana, que já é Segunda-Feira, mesmo que seja Domingo.

O que me faz feliz não me tira a tusa, por isso ainda me venho de novo, quando sair do meu transe.

Um suspiro e um cigarro. Já está.

Calma Inquieta

‘Lá está ele a olhar para nada’, pensou ela ao se deparar com aquele homem ausente, de novo, estático no meio do corredor. ‘Estás à procura de alguma coisa?’, perguntou-lhe, pondo-se de frente para ele. Virou-se para ela, lançando um olhar agora atento para o fundo do corredor, não reparando sequer na sua  presença. Algo o chamou à atenção, e, pelos vistos, não foi a voz interrogativa. Alguém tinha entrado e a expressão vaga enrugou-se. ‘É tão transparente e tão misterioso, ridículo.’

Sentia simpatia por ele, sentia até mais curiosidade que simpatia. Para um homem tão falador como ele, é estranha tamanha ausência. ‘A não ser que recebas correio no escritório, não há ali nada para ti! Era bom que fosse o nosso almoço…’ – suspirou, sacudiu o cabelo solto, olhou-o de soslaio – ‘Acorda, pá!’ – empurrou-o com a ponta dos dedos, tentando sacar alguma reacção. ‘Sim, está tudo bem. Estava à espera de… sei lá eu de quê… Vais almoçar?’ – respondeu-lhe, saindo do aparente transe. ‘Sim, vou agora’ – avançou para a varanda – ‘mas vou primeiro lá fora’ – tirando um maço do casaco e estendendo-lho – ‘queres vir?’. ‘Já vou ter contigo.’- disse com firmeza. ‘Deve ser grave, para ter saído do cubículo dele…’ – pensou – ‘e que olhos são aqueles? Se não o conhecesse bem até diria que tinha cheirado… ou que tinha chorado… mais a primeira que a segunda hipótese, mas enfim’ – e riu-se com a sua constatação, soltando um bafo sonoro, disforme e trapalhão, tentando esconder o riso com a mão. Começava a fazer frio, lá fora, acariciou os braços procurando aquecer-se, deu um último bafo, atirou o cigarro, lançou a cabeça para trás e soltou o fumo vagarosamente, soltando um pouco de cansaço e um pouco de desespero. Viu-o passar e foi ao seu encontro, na esperança de ter a atenção dele, sem sucesso.

Voltou algo acelerado ao cubículo, sentou-se, pôs os pés em cima da mesa com brusquidão, e espreguiçou-se, deixando cair os braços relaxados ao lado do corpo quase deitado na cadeira. ‘Relatórios; listas; e-mails; processos; falar com o gajo dos pagamentos’ – enumerou mentalmente. O tecto estava manchado pela humidade. O tecto estava manchado e apenas esse pensamento roubava a sua atenção. Observando os desenhos nos cantos da sala, apenas deixando-se consumir pela insignificância dos desenhos da humidade, assim se deixou ficar. Não dormiu, não sonhou, não fantasiou, apenas permitiu que a sua cabeça deixasse de funcionar. Afinal de contas é esse o seu mal, levar os pensamentos à exaustão. ‘Não sei se deva acordar ou dormir,’ – confessou – ‘não sinto nada do que está à minha volta. É tudo tão igual e imutável. É tudo tão igualmente inefável, não faz lá muito sentido. Mais do que uma vez me perguntei, só esta manhã, se estaria num profundo estado de sono, ou coma… Isso justificaria esta confusão e apatia… este terror paralisante.’ – ainda encarava o tecto, boquiaberto, deslizando, flácido, pela cadeira. A falta de vida no olhar agravava-se nitidamente, a cada dia. Tentava em vão acordar, repetidamente, no sítio onde adormecera há muito, muito tempo.

Deslizou da cadeira, caindo de frente, batendo com a cara no chão, dormente, incapaz de amparar a queda, com uma perna caída e outra em cima da mesa. Um espetáculo deprimente, se me permite dizê-lo. Que infelicidade a de viver inconscientemente. Que infelicidade a de viver um sonho sem experimentar o impossível.

Medo

Faço o funeral ao medo.

Não me recordava,

desde que percebi

de que em pequeno

rodeado de medo

e morte me vi,

até a morte ser medo.

Medo é errado.

Medo é bom.

Fatalidade era costume

ateado em brado lume

encostando-me, assombrado,

à alucinação fantástica

das maravilhas da infância.

Até me saber só

nada percebia do logro

da tristeza e seu ócio.

Do vício e do dó

evidenciaram-se as rédeas,

arreando o desejo,

desejando ser só,

de uma só vez, todo só.

A perda é uma cela.

Medo é doença.

Perto de revelações, penso,

que o mundo cabe no meu abraço

e se o destino é finar,

que me esgote eu sem pesar.

Lava

Eis que no meu peito

corroído pela lava

rebentam águas salgadas

 

banho-me nas furnas

da cravada ilha alva

cuspo de vulcão desfeito.

 

Se em pecado ouso,

dai-me à rebentação.

Vem da perdição, logro,

momentum e sensação.

 

Se pedras forem castigos

dados aos tarados nos pelourinhos,

se os demónios forem desiguais

envenando n’Olímpo os gigantes divinais

 

Abalo com as tuas pedras

o teu templo herético

selo o teu jazigo helénico

c’o horror dos cubistas.

 

Se em pecado ouso,

dai-me à rebentação.

Vem da perdição, logro,

momentum e sensação.

Prostra os forasteiros,

bebe tu meu mar, o meu sangue.

Por pecados que apenas eu me castigue

ardendo na lava do meu peito.

Rígel

‘Respira fundo, pelo nariz, enche o ar de pulmões, expande a caixa torácica, prende o ar lá dentro’ – ouço as reticências dela a marcar o tempo, a cadência da inspiração retida e da exalação soprada – ‘e solta agora o ar pela boca, com força’ – ordenou-me, com a mão no meu peito, esvaziando-o como um balão deitado no colchão d’água. É como flutuar, é como tapar-me com cimento, como enterrar-me num sono consciente. Inalei fundo toda a tranquilidade que não conheço. Exalei toda a desarmonia e desordem. Algures na transfusão pausada e cadenciada, na suspensão encontrei yin e na roda viva yang.

‘Concentra-te na minha voz’, lembrou-me, ‘Vou iniciar a contagem decrescente de dez a zero. A cada número, descerás um degrau. Olha à tua volta, vê onde estás. Vês as tuas escadas? Já aí estiveste’. As escadas eram, de facto as mesmas. O mesmo corredor sombrio e limpo, cujas paredes que encolhiam em ângulo agudo para as escadas amarelavam e gretavam, apenas iluminado à minha passagem, à falta de tochas, candeias ou algo tão banal como electricidade. Ao virar o corredor em caracol para as escadas encontro o mesmo brilho azul e difuso, gelo e neve e luar. É por aqui que desço mais e mais para o meu abismo. ‘Dez’, e desço o degrau. Não se sente nada, o gelo é gelo e o túnel forma-se. ‘Nove’, e desço outro degrau. Andei uma vez numa montanha russa na grande feira popular de Viena, onde as carruagens entravam num túnel estreito, a luz apenas mostrava a boca da serpente, para dentro só escuridão. ‘Oito’, desço outro degrau, desta vez com receio de escorregar. ‘Sete’, desço. A imaginação é algo poderoso. Aqui estou eu, representação de mim mesmo no meu subconsciente, nu. ‘Seis’, com um pé ainda no degrau anterior. Estou nu a descer escadas com degraus contados. Arquitectei bem a minha toca, tudo arrumado e funcional. ‘Cinco’, ainda que permaneça uma divisão mórbida da minha consciência, encanta-me. Desço. ‘Quatro’, desço com receio de me esquecer de descer. Mesmo agora ao molesto-me por me permitir trazer medo para casa. Depressa acabo com a pestilência do medo no meu santuário fortificado, onde não há escutas nem privação, apenas segurança e mundivivência. Poder ultrapassar limites de visão e alcance. Perscrutar o universo, projectando-me além da atmosfera e abaixo de mim mesmo. ‘Um’, merda! Três, dois, um, desço. Enquanto desço perco as escadas e caio hirto numa espiral cósmica, translúcida, líquida, clara de ovo e leite diluídos em água e ondas neónicas, boreais e sol.

‘Concentra-te na minha voz, guiar-te-ei’, olhei para cima enquanto caía, olhei para baixo tentando perceber onde ia cair. Ouço-a, estou cá e lá, mas noutro sítio. Querendo, viajei mais além das indicações dela. Escorreguei para os olhos de uma baleia, que me mostravam constelações e mais escuridão do que alguma vez conheci. Um vazio avassalador que reanimou o meu corpo cósmico, sem mãos nem pés, apenas veias e terminais luminosos, sem carne, apenas plasma, um ovo, um embrião na teta que tudo o que existe alimenta. De onde venho ninguém tem lar e no frio onde moram os diamantes do céu terrestre encontro o remédio para a minha amargura de filho abandonado. A esfera é feita de um tecido macio, quente, vivo. Um hemisfério sólido, branco, outro invisível, revelador de uma noite onírica. De dentro surgem figuras sem corpo ou membro, ligadas ao navio, brancas, com os mais profundos olhos negros, duas bolhas negras onde cabem os olhos dos humanos. Quem são? Acariciam-me com ondas de calor, com carinho e saudade e consigo aceder a tantos segredos nos olhos que entram nos meus, consigo intuir a missão que me foi entregue sem consentimento ou permissão. Sou, de um só golpe sem piedade, abortado para fora da nave, caído numa realidade vermelha caótica, de destruição e medo. ‘Não permitirei medo’, penso, emboscado por ventos solares que me elevam e se alojam em frequências nucleares irrequietas, emitindo faixas de luz pelo meu corpo de plasma, ensopando as ramificações que tomo por membros de nano estrelas.

Sou violado pela luz mais dolorosa e justa, elevando-me na atmosfera bélica que vim para derrubar e domar. Na inexistência de som, sentia-me a gritar lamurias de super novas, enquanto sorvo pela boca toda a matéria. Expludo luz de todos os terminais, desfazendo-me em poeiras que reflectem o universo. Irradio explosões de luz em mantos que cobrem a realidade que fui enviado para extinguir. A luz roça os astros circundantes, a luz que sempre trouxe e que se uniu ao concílio dos astros para banir o medo e a miséria. Assim nasci, memória da vitória sobre os limites. Luzindo mais bravo e completo, terminado. Rígel.

Lilith

Cresce-me a luz da dúvida na fronte. Mal me toca a carícia da intuição, que cego me fiz, dançando valsas e cortejos só, à confiança dos sentidos, de olhos fechados, com o fantasma do meu agora reencarnado desânimo. Cresce-me a necessidade de usar palavras. Palavras que silenciara e trocara por adornos de realeza perfurando a pele macia, quente, fugaz, violeta. Palavras trocadas que cimentaram bases de paz. Cresce-me o impulso, empunho suspeitas prontas para me flagelar, suspeitando do meu objecto e da minha suspeita, vocifero as hipóteses que tecem as três bruxas da minha introspecção, que me fazem companhia, alienação, solidão, mania. Afogo-me em retratações, entre cláusulas que assumo para comigo com rigores e temores.

Cresce-me na fronte a sombra da perda, sobre os olhos que procuraram com ambição e não folhearam os capítulos soprados pelo vento pestanejado pela rapidez vigarista de olhos desassossegados. As palavras voam no silêncio de segundos, no desmaio da minha crença. Alço a batuta, em repetido alívio e flagelo, sangro, soo o alarme do descontentamento, largo os uivos da suspeita que me desenlaçaram do sacrifício do orgulho, do suicídio do medo. Findo-me com as palavras que te convocam, que te acusam para me justificar tão inquieto, tão incerto.

Digo apenas que amarias o meu corpo conforme dizes de tua vontade, não amando, amarás outros na rebentação, que és volátil impressionável Vénus e serei eu ardido Vulcano, trabalhando o aço azulíneo para te desbravar as amarras do egoísmo ácido que atiras sobre o meu peito descoberto.

Atravessa-me a fronte, eclipsando a manhã da razão, uma Lilith maligna que me destrona do bom julgamento, em velhas lembranças, na velha cegueira impotente, de amarguras imprevistas. Cumprindo-se o presságio adiantado pela melancolia, farei minhas as lágrimas seguradas de Adriano, pelo fúnebre brilho que se abate no meu olhar afogado pela perda do teu níveo frescor.

 

A morte de Anne Lee & Mrs Chauff

(intro)

Com certeza, tal como todo o resto desta nossa pequena cidadela, viesteis ao meu encontro para saber mais detalhes sobre a minha extenuante aventura e sobre a rapidez do meu secreto regresso… pois, sentem-se, cavalheiros, estava a contar recebê-los assim que voltei a pisar terra firme. Quereis saber o que é feito das vossas queridas filhas… pois, não há muito para contar, devem compreender; a morte que sofreram foi de tal maneira ágil no corte que, deus as abençoe, não deram pela falta das cabeças… Eu tenho (pausa), tinha um avião que me foi ofertado por sua senhoria o Barão do Oeste que mo trouxe carregado das mais negras uvas. Era uma nave peculiar, guiava-se sem requerer a minha atenção, consumia apenas mosto, albergava, sem sombra de dúvida, cinquenta pessoas, embora eu, que sou sozinho, gozasse  bastante bem as minhas férias longe das bocas das velhas de Catrião. A sua filha Anne, Dr.Noveno, conhecia-a desde que éramos dois poltros enfezados, toda a nossa vida brincámos no pátio desta nobre casa de família e teria tentado protegê-la, não tivesse ela tentado apunhalar-me e entregar-me ao meu mais recém feito inimigo que ainda se alimenta dos restos mortais das raparigas.

Embarcámos na minha nave a 1 de Outubro, numa esplêndida manhã pelo fresco da aurora, rumo a Noroeste de Catã. Como sabem, cavalheiros, a velha aldeia de Catamor está deserta, nesta altura do ano, e todos concordámos que beneficiaríamos do silêncio e privacidade. Voámos eu, Anne Lee Chauff e a irmã, esposa de Dr. Chauff, Samara Chauff, Dr. Tabara Chauff, Quint e Bantilla, meus irmãos.

How many

In the end how many would imagine one night you sat by your bed dull, lifeless, desperate, about to lose it, crying involuntarily, throwing your head back staring into the lamp light half alive, disconnected, phasing out, asking yourself how to function in the world, who you are, how not to feel this anymore, what are you feeling, when will it be over, how to make it go away, should you die and what power that be will reap you in your sleep? Happiness is just a push and pull away. In the end how many would relate if only they knew? They will never, unless – unless you are seen for who you really are, or they find your journals. More often than not people don’t know until they get to lament over you.

Care for your people. Being held and seen impacts mine, yours and their lifes.

Partition

IMG_20180517_235919IMG_20180518_000437_589

I bought a small box of slime at The Flying Tiger for 2€, just to play with it for a while because I felt bored and I can’t stand boredom. It was my first time playing with slime, one of my students brought his lime green phlegm like slime to class and I felt jealous… So I, a grown ass adult, bought me what resembled unicorn phlegm. It is fun to play with it, but it got old.

This is how it occurred me I could use it creatively, the picture that popped into my mind…

 

GJ

Alienatio 2.0

Alienatio

O Homem Absurdo é aquele que busca sentido onde não há um sentido predefinido.

The Absurde Man is he who seeks meaning where there is no predefined meaning. 

There’s no meaning to chaos if it grants life it’s status of absolute ruler of absurdity.

Not that nostalgia is foreign to him. But he prefers his courage and his reasoning.

 

 

A series of illustrations I named Alienatio.

Greatly influenced by Camus’ “Le Mythe de Sisyphe”, it’s the interpretation of a very warped vision of the world as seen from the inside of a bubble which rejects the mundane.

It’s the acknowledgement  of everything palpable and explained by their physical existence immersed by everything inexplicable, by what makes sense within us because we feel it. Disruption, apathy, macabre, when inner death crosses paths with the exuberance of being woke.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Esta é uma colecção de desenho digital ao qual dei o nome Alienatio.

É uma interpretação da visão concreta do mundo dentro de uma bolha que repele o que é do mundo.

É a aceitação das coisas palpáveis e explicadas pela existência física inundada pelas coisas sem explicação, porque apenas vivas interiormente. Da confusão à apatia, do sensual ao macabro e o cruzamento da morte interior com a exuberância de ser consciente.

GJ

DesRazão (UnReason) published poem collection from youth

I’ve written about this before but today I share my version of the book, what I had in mind for it but am now able to produce myself. The design, content and production are mine and I can say I’m more statisfied with this result than the previous. I’m still to print it and make a hardcover copy, although bookbinding takes a lot of skill, time and money, so I might do it during summer vacation.

 

Here it is

(click on the miniatures to see the full size image)

 

 

GJ

Love in Ultralight

They’re so many things at once yet, in a world with no super heroes, they hold their own

Grava a minha essência como um selo sobre o teu coração. Que minha memória ressoe através do cerne do teu ser. Deixa-me brilhar e erguer-me através do centro da tua paixão, através das margens da tua acção, através de cada parte de ti que se torna viajante e deixa o lar. Grava-me como um monograma que alerte todo mundo: Eis o sinal da integridade, eis o sinal do amor. A força dos cosmos se oculta sob sua superfície.
 in Cântico dos Cânticos

coloursketch

30123931_2074565202572322_8268823557114896208_n30226750_2074405869254922_3201448841725865902_n

GJ

Bubbles – insomniac events

It usually happens after a turmoil and before insomnia and numbness, the urge to create something compulsively. I’m making my best to live a compulsion and obsession free life.

Nonetheless, I wanted to do something iridescent like, like soap bubbles, so I spent hours making them, four nights in a row.

I made a coat with Merck’s Prisma Colour Space Turquoise pigment (tin oxide and titanium dioxide mixed with shellac) and another with Winsor and Newton’s Iridescent Medium, on top of watercolour.

3 insomniac events.

 

Paint Brush LANA A5 150 G/m

Merck Pyrisma T30-25 Color Space Turquoise

Winsor & Newton Iridescent Watercolor

 

GJ

Moon

My camera died last summer, and so did my cat. It’s been sad, lonelier and boredom stroke.

I had to get a new phone recently and this one has a camera. I had no idea just how much I actually missed taking photos. I captured this one through a telescope, I think it turned out really nice. I need to get me a new camera!!

32239722_2114573905238118_3405287519535759360_o

 

Long sleepless nights praising Mother moon, I love the night especially the light in the night sky, an open book of neverending stories and wonder. We have a special relationship, the moon and I.

#moon#moonlight #moonlightmagic #telescope #nofilter#darkmotherdivine

Photo: moon as seen from Lisbon, around 10 PM, 24/04/18. Got her good 

GJ

“The moon is no door. It is a face in its own right, 
White as a knuckle and terribly upset.
It drags the sea after it like a dark crime; it is quiet
With the O-gape of complete despair. I live here.

(…)
The moon is my mother. She is not sweet like Mary.
Her blue garments unloose small bats and owls.
How I would like to believe in tenderness —
The face of the effigy, gentled by candles,
Bending, on me in particular, its mild eyes.”


in The Moon and the Yew Tree, Ariel, Sylvia Plath

Routine for healing

Wake up, gitty up, love, go for it, have coffee, cum, eat, drink, bathe, dance, pet your cat, run to the train, coffee to go, sit on the stairs, love, wait, read, read some more, love, read a whole chapter, music, strut, work, love, have a laugh, get angry, love, question your life decisions, fear and plan, tone your thought, love, take the stairs, exercise, be assertive, be frontal, be transparent, save your words, love, have ideas, imagine, feel the sun, drink water, love, drink some more, eat, have sex dreams on the train after work, love, read on the train, have sugar, do something different, participate in some project with your honest words and required wisdom, work out, sweat, love, drink lots of water, persist, tunel vision, limits, love, the here, the now, arrousal, strength, walk home, love, make a phone call, say lovely words, love, feel less happy hanging up, love, complete a 20 minute walk, love, get home, shower, cum, moisturize, dance, love, cook dinner, make it dirty, love, don’t wash the dishes, eat proudly, love, eat from a boul, have icecream, watch some stupid series, behold the living results of your works, feel horny, try to remember your daily to do list, fail at it, love, have a martini, grab your book, love, read, love, enter the zone, love and do whatever. There is only now.

GJ

ad libs 4

A verdade liberta-nos quando a aceitamos. Algo muda.

Por cada verdade que aceitei como libertação algo mudou, é verdade. Há alívio parcelado. No alívio, porém, persiste a demanda por preenchimento, a aventura de levar a cabo a crise sustentada por coisas que não sei o que são, coisas vazias. Coisas, ambições, fragmentos de identidade dos quais nada de mim grita de volta. Tudo vale a pena, se quiser a dúvida. Tentar tudo tem tanto de bravura como de devassidão. 

Não sei o que é que vou querer, sabendo não estou interessado em demasiados sonhos, nem em contentar-me. Procuro exceder-me.

Tenho voz e vou transformá-la em pedaços concretos e francos, pôr por palavras e razão um copo cheio.

Ficar. Ficar agrilhoa as mentes francas e curiosas mas não as demove.

Morrer ou não morrer é a premissa duma falácia. Se o suicídio se torna numa opção, em toda a sua natureza de grande conflito, passa a ser senão o regalo dos que se deliciam com menos um, enquanto que aquilo que faz com que viver seja o maior dom nos é retirado e lá nos vamos esquecendo – no meio das ofensas, dos vícios, das suspeitas, da sobrevivência, dos nossos buracos perfeitos – do que somos feitos e do que podemos ser, secretamente conscientes da inconsistência das nossas desculpas para sermos menores.

Sentir-me medíocre trouxe-me aqui e acredito estar algures perto de alguma coisa que procuro. A demanda pelo que anseio continua, porque vivo as epifanias de agora, porque quantas mais respostas obtenho, mais procuro.

 

GJ

To whom it may concern

To walk on this earth where everybody else is just everybody else and I walk inside my half bubble perfumed with your honey like saliva on my skin, your powerful waving. To grow gardens plowed in my mouth. To be the privileged proud man who meets his future reaching out for your half to make us whole. I go to bed with this knowing we shall have what we don’t yet.

 

GJ

About inadequacy

I don’t know anything about chill, when I’m excited I’m excited, when I’m happy I’m happy, when I’m mad I’m mad, when I’m indifferent I’m indifferent – my emotions are see through. Saying I’m reactive, vulcanic, impressionable, corrosive, childish, anxious, depressive, reclusive, idealist, spontaneous, even kind, it all gets lost in translation, because a big front makes up for being transparent to the point of extreme vulnerability. Coming from a place of honesty and transparency is dangerous and frustrating yet liberating. Try it sometime.

 

GJ

Poetry, imagery & painting

wp-image-794818157jpg.jpeg

 

Some time ago I drew a series of illustrations for a few poems. Back then I was really into digital drawing and although I liked the results the drawings came out a little stiff,  dull even. I took the time to reinterpret my favourites and add bits of the poems to the watercolour paintings in calligraphy,  using a very special pearly pigment mixed to calligraphy ink.

GJ

Recent readings: Manfred – act III end of scene I – Lord Byron

Abbot. This should have been a noble creature: he
Hath all the energy which would have made
A goodly frame of glorious elements,
Had they been wisely mingled; as it is,
It is an awful chaos—light and darkness,
And mind and dust, and passions and pure thoughts,
Mix’d, and contending without end or order,
All dormant or destructive. He will perish,
And yet he must not; I will try once more,
For such are worth redemption; and my duty
Is to dare all things for a righteous end.
I’ll follow him—but cautiously, though surely. [Exit ABBOT.

Verdadeira comunicação

Fui recentemente questionado acerca de um verso que escrevi há anos e tive de procurar em mim aquilo que quis dizer na altura. Após alguma reflexão encontrei a origem daquela reflexão incluída no seguinte terceto do alexandrino intitulado XII com data de 2013:

Prazeroso moderado amor em movimento.
Vejo na escuridão e ando livre no ovo.
Mero erro mortal, carnal contrafeito.

A alusão de liberdade associada à prisão do ovo é recebida com estranheza e com razão, agora vejo. Esta referência remonta a uma passagem de uma short-story que escrevi em verso:

Arrasto um brilho, um manto,
que me ilude, apenas eu embrulhado
nos vultos e ecos contínuos da névoa polida,
redoma, estufa urbana fresca onde impero,

Que por sua vez teve origem na reflexão de Chuang Tzu:

O objectivo das palavras é transmitir as ideias. Quando estas são apreendidas, as palavras são esquecidas. Onde poderei encontrar um homem que se esqueceu das palavras? Com ele é que gostaria de conversar (…). Todos se lembram só das palavras? Separam palavras e ideias? Como conversar sem palavras?
O que o pensador nos quer fazer pensar é muito simples: a palavra no quotidiano se torna veículo comunicativo, onde as palavras transitam vazias, como meras cascas de ovos que, se chocados, nada nascerá. A palavra poética é como o ovo cheio de vida pronto para ser chocado. Poeticamente, chocar é pensar.

O ovo é o pensamento antes da palavra dita.

Esta reflexão lembra-me uma passagem do filme Waking Life:

Creation seems to come out of imperfection. It seems to come out of a striving and a frustration. And this is where I think language came from. I mean, it came from our desire to transcend our isolation and have some sort of connection with one another. And it had to be easy when it was just simple survival. Like, you know, “water.” We came up with a sound for that. Or “Saber-toothed tiger right behind you.” We came up with a sound for that. But when it gets really interesting, I think, is when we use that same system of symbols to communicate all the abstract and intangible things that we’re experiencing. What is, like, frustration? Or what is anger or love? When I say “love,” the sound comes out of my mouth and it hits the other person’s ear, travels through this Byzantine conduit in their brain, you know, through their memories of love or lack of love, and they register what I’m saying and they say yes, they understand. But how do I know they understand? Because words are inert. They’re just symbols. They’re dead, you know? And so much of our experience is intangible. So much of what we perceive cannot be expressed. It’s unspeakable. And yet, you know, when we communicate with one another, and we feel that we’ve connected, and we think that we’re understood, I think we have a feeling of almost spiritual communion. And that feeling might be transient, but I think it’s what we live for.

(…)

And yet, you know, when we communicate with one another, and we feel that we’ve connected, and we think that we’re understood, I think we have a feeling of almost spiritual communion.

Estou certo de que um bom comunicador não usa apenas palavras. Eu aprendi e aplico todos os meios para comunicar, primeiro com intenção, empatia e depois palavras. A palavra confirma, oficializa. Comunico sem palavras aquilo que não se pode somente dizer pois a verbalização não honra a essência. Reservo para mim a introspecção, o tempo indefinido em que os olhos se fixam num ponto e a reflexão começa, em que me questiono e me respondo, pois conhecer-me é reconhecer-me no outro, podendo e tendo visto para lá das palavras a verdadeira mensagem dos meus interlocutores ao longo dos anos, para então revelar as minhas conclusões que serão sempre as minhas e não as de outro.

GJ

Still about the self portrait life

I’ve been enjoying my vacations for a week now and all I do is draw, paint, eat with great satisfaction, read, drink and watch cartoons.  My latest works are self portraits, probably because I don’t see my exterior as my interior, but this time I tried oil painting. So far I’m done with the object, shading and background, I’ll continue working on it…

Yours,

GJ

Volto Já

Aproveito o espírito da época para deixar claro que larguei as memórias. Larguei as memórias empilhadas como lixo numa gaveta pequena. Ofereci as memórias de volta como perdão, retribuí com carinho o lixo que me foi despejado em cima. Só assim me livrei do que não faz falta. Não fazem falta. Que fique claro que larguei as memórias. Já nem me lembro do que queria dizer.

 

GJ

O LIVRO DAS IMAGENS, Rilke

Solidão

A solidão é como uma chuva.
Ergue-se do mar ao encontro das noites;
de planícies distantes e remotas
sobe ao céu, que sempre a guarda.
E do céu tomba sobre a cidade.

Cai como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se voltam para a manhã
e quando os corpos, que nada encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos na mesma cama:

então, a solidão vai com os rios…

A Canção do Suicida

Só mais um momento.
Que voltem sempre a cortar-me
a corda.
Há pouco estava tão preparado
e havia já um pouco de eternidade
nas minhas entranhas.

Estendem-me a colher,
esta colher de vida.
Não, quero e já não quero,
deixem-me vomitar sobre mim.

Sei que a vida é boa
e que o mundo é uma taça cheia,
mas a mim não me chega ao sangue,
a mim só me sobe à cabeça.

Aos outros alimenta-os, a mim põe-me doente;
compreendei que há quem a despreze.
Durante pelo menos mil anos
preciso agora fazer dieta.

Recordação

E tu esperas, aguardas a única coisa
que aumentaria infinitamente a tua vida;
o poderoso, o extraordinário,
o despertar das pedras,
os abismos com que te deparas.

Nas estantes brilham
os volumes em castanho e ouro;
e tu pensas em países viajados,
em quadros, nas vestes
de mulheres encontradas e já perdidas.

E então de súbito sabes: era isso.
Ergues-te e diante de ti estão
angústia e forma e oração
de certo ano que passou.           

Rainer Maria Rilke, in “O Livro das Imagens”
Tradução de Maria João Costa Pereira

Entre leituras, alguns pensamentos

Tenho encontrado muita informação, quer escrita quer audiovisual acerca do beat generation, beatnicks, e em especial acerca de uma obra intitulada “On the road” de Jack Kerouac. Li, reli e debati esta obra nos tempos de faculdade e confesso que não me impressionou muito. Lê-se um pensamento anterior ao tempo da escrita, lêem-se credos a serem questionados, lê-se o envelhecimento de um homem do pequeno grupo que usou a palavra escrita para ser lida e romper o silêncio, a self expression era uma máxima inquebrável, um grupo de gajos que questionaram e possibilitaram uma geração… tudo para além da escrita foi um fenómeno aparte, ainda assim. É o tipo de livro para aquele ou aquela que está à procura de si mesmo.

 

GJ

Elogio dos repuxos – Ronald Carvalho

Hoje tenho em mim versos variados de Ronald Carvalho, em especial este “Elogio dos repuxos”, que lê assim:

Dor dos repuxos ao Sol-pôr agonizando

em plumas e marfins, em rosas de ouro e luz…

Canto da água que desce em poeira, leve e brando,

canto da água que sobe e onde o jardim transluz.

Dormem sinos na bruma — a cinza tem afagos…

Sombras de antigas naus, velas altas a arfar,

passam em turbilhões pelo fundo dos lagos,

(a aventura, a conquista, a ânsia eterna do mar!)

Repuxos a morrer sobre si mesmos, lentos —

curvos leques a abrir e a fechar num adejo,

— mão vencida que vem de vãos incitamentos,

mão nervosa que vai mais cheia de desejo…

Volúpia de fugir — ser longe e ser distância,

e tornar logo ao cais e de novo partir!

Volúpia — desejar e não possuir, ser ânsia…

Repuxos a descer, repuxos a subir…

Não fixar emoções, volúpia de esquecê-las,

Andar dentro de si perdido na memória…

(Caçadores ideais de mundos e de estrelas —

repuxos ao Sol-Pôr cheios de mágoa e glória…)

Dor dos repuxos ao crepúsculo cantando!

desespero, alegria — o lábio, a mão… e um beijo.

Dor dos repuxos, dor sangrando, dor sonhando —

Ir tocar a ilusão e morrer em desejo…

– Letter in November, Plath

Love, the world
Suddenly turns, turns color. The streetlight
Splits through the rat’s tail
Pods of the laburnum at nine in the morning.
It is the Arctic,

This little black
Circle, with its tawn silk grasses — babies hair.
There is a green in the air,
Soft, delectable.
It cushions me lovingly.
I am flushed and warm.
I think I may be enormous,
I am so stupidly happy,
My Wellingtons
Squelching and squelching through the beautiful red.

This is my property.
Two times a day
I pace it, sniffing
The barbarous holly with its viridian
Scallops, pure iron,

And the wall of the odd corpses.
I love them.
I love them like history.
The apples are golden,
Imagine it —

My seventy trees
Holding their gold-ruddy balls
In a thick gray death-soup,
Their million
Gold leaves metal and breathless.

O love, O celibate.
Nobody but me
Walks the waist high wet.
The irreplaceable
Golds bleed and deepen, the mouths of Thermopylae.

Les Deux Bonnes Soeurs

baudelaire1
by GJ

 

La Débauche et la Mort sont deux aimables filles,
Prodigues de baisers et riches de santé,
Dont le flanc toujours vierge et drapé de guenilles
Sous l’éternel labeur n’a jamais enfanté.

Au poète sinistre, ennemi des familles,
Favori de l’enfer, courtisan mal renté,
Tombeaux et lupanars montrent sous leurs charmilles
Un lit que le remords n’a jamais fréquenté.

Et la bière et l’alcôve en blasphèmes fécondes
Nous offrent tour à tour, comme deux bonnes soeurs,
De terribles plaisirs et d’affreuses douceurs.

Quand veux-tu m’enterrer, Débauche aux bras immondes?
Ô Mort, quand viendras-tu, sa rivale en attraits,
Sur ses myrtes infects enter tes noirs cyprès? 

Charles Baudelaire

Birthday Present

What is this, behind this veil, is it ugly, is it beautiful?
It is shimmering, has it breasts, has it edges?

I am sure it is unique, I am sure it is what I want.
When I am quiet at my cooking I feel it looking, I feel it thinking

‘Is this the one I am too appear for,
Is this the elect one, the one with black eye-pits and a scar?

Measuring the flour, cutting off the surplus,
Adhering to rules, to rules, to rules.

Is this the one for the annunciation?
My god, what a laugh!’

But it shimmers, it does not stop, and I think it wants me.
I would not mind if it were bones, or a pearl button.

I do not want much of a present, anyway, this year.
After all I am alive only by accident.

I would have killed myself gladly that time any possible way.
Now there are these veils, shimmering like curtains,

The diaphanous satins of a January window
White as babies’ bedding and glittering with dead breath. O ivory!

It must be a tusk there, a ghost column.
Can you not see I do not mind what it is.

Can you not give it to me?
Do not be ashamed–I do not mind if it is small.

Do not be mean, I am ready for enormity.
Let us sit down to it, one on either side, admiring the gleam,

The glaze, the mirrory variety of it.
Let us eat our last supper at it, like a hospital plate.

I know why you will not give it to me,
You are terrified

The world will go up in a shriek, and your head with it,
Bossed, brazen, an antique shield,

A marvel to your great-grandchildren.
Do not be afraid, it is not so.

I will only take it and go aside quietly.
You will not even hear me opening it, no paper crackle,

No falling ribbons, no scream at the end.
I do not think you credit me with this discretion.

If you only knew how the veils were killing my days.
To you they are only transparencies, clear air.

But my god, the clouds are like cotton.
Armies of them. They are carbon monoxide.

Sweetly, sweetly I breathe in,
Filling my veins with invisibles, with the million

Probable motes that tick the years off my life.
You are silver-suited for the occasion. O adding machine—–

Is it impossible for you to let something go and have it go whole?
Must you stamp each piece purple,

Must you kill what you can?
There is one thing I want today, and only you can give it to me.

It stands at my window, big as the sky.
It breathes from my sheets, the cold dead center

Where split lives congeal and stiffen to history.
Let it not come by the mail, finger by finger.

Let it not come by word of mouth, I should be sixty
By the time the whole of it was delivered, and to numb to use it.

Only let down the veil, the veil, the veil.
If it were death

I would admire the deep gravity of it, its timeless eyes.
I would know you were serious.

There would be a nobility then, there would be a birthday.
And the knife not carve, but enter

Pure and clean as the cry of a baby,
And the universe slide from my side.

 Plath

Oraison du Soir

Je vis assis, tel qu’un ange aux mains d’un barbier,
Empoignant une chope à fortes cannelures,
L’hypogastre et le col cambrés, une Gambier
Aux dents, sous l’air gonflé d’impalpables voilures.

Tels que les excréments chauds d’un vieux colombier,
Mille Rêves en moi font de douces brûlures :
Puis par instants mon coeur triste est comme un aubier
Qu’ensanglante l’or jeune et sombre des coulures.

Puis, quand j’ai ravalé mes rêves avec soin,
Je me tourne, ayant bu trente ou quarante chopes,
Et me recueille, pour lâcher l’âcre besoin :

Doux comme le Seigneur du cèdre et des hysopes,
Je pisse vers les cieux bruns, très haut et très loin,
Avec l’assentiment des grands héliotropes.

Arthur Rimbaud