Projecção de sombras em festim
Alcançam à distância visões sem fim
Sombras de gato bravo no telhado
Movem-se exuberantes e a medo
Do peso das passadas pesadas
Ignorando se é grande se é pequeno
Denunciado pelo leve ruído
Branco estática intensidade
Ao sol rocha quente,
Dia soalheiro, quedo, dormente,
Bebe da noite água mole
Que corroa a inquebrável corrente
Castradora da intuição insurrecta
À falta de chave que a liberte.
Que mente que sente, mente,
Que é diferente e vê e crê somente.


Les Deux Bonnes Soeurs

by GJ


La Débauche et la Mort sont deux aimables filles,
Prodigues de baisers et riches de santé,
Dont le flanc toujours vierge et drapé de guenilles
Sous l’éternel labeur n’a jamais enfanté.

Au poète sinistre, ennemi des familles,
Favori de l’enfer, courtisan mal renté,
Tombeaux et lupanars montrent sous leurs charmilles
Un lit que le remords n’a jamais fréquenté.

Et la bière et l’alcôve en blasphèmes fécondes
Nous offrent tour à tour, comme deux bonnes soeurs,
De terribles plaisirs et d’affreuses douceurs.

Quand veux-tu m’enterrer, Débauche aux bras immondes?
Ô Mort, quand viendras-tu, sa rivale en attraits,
Sur ses myrtes infects enter tes noirs cyprès? 

Charles Baudelaire

Autoretratos / Self portraits

Depois de um longa semana cheia de novidades e muito que fazer no mundo lá fora, todas as horas livres foram passadas da melhor forma, possibilitando-me maior foco. Meti-me a desenhar umas ideias que andavam aqui a pairar há bastante tempo e a relembrar-me que não lhe estava a dar atenção e que estava a ser preguiçoso.

After a long and eventful week with a lot of work all my free time was spent in the best way possible, allowing me to be focused. I began drawing some ideas I had floating over my head for a long time which kept reminding me I wasn’t tending to them and that I was being lazy.

Como sou o meu único modelo, usei-me para praticar desenho de corpo e estudar sombras e texturas, daí que tenham surgido alguns autoretratos, como estes.

As I am my own model I draw myself to study body drawing and shadows and textures, hence the making of these self portraits.




Licantropia / Wolf Moods

Depois de um longa semana cheia de novidades e muito que fazer no mundo lá fora, todas as horas livres foram passadas da melhor forma, possibilitando-me maior foco. Meti-me a desenhar umas ideias que andavam aqui a pairar há bastante tempo e a relembrar-me que não lhe estava a dar atenção e que estava a ser preguiçoso.

Aqui estão três interpretações do lobo, com estados de humor diferentes, interpretados pelo movimento.

After a long and eventful week with a lot of work all my free time was spent in the best way possible, allowing me to be focused. I began drawing some ideas I had floating over my head for a long time which kept reminding me I wasn’t tending to them and that I was being lazy.

These are three interpretation of the wolf, in its different moods, conveyed by movement.




Projecto paginação, ilustração e encadernação de livro infantil

Um dos projectos da minha recente formação em Design Editorial foi paginar, ilustrar e encadernar um livro infantil, sendo a encadernação elemento opcional de projecto mas que abracei com entusiasmo. Aprendi muito neste projecto, com a orientação da excelente ilustradora e professora Mariana Viana, tendo apresentado o resultado final à muitíssimo querida artista Danuta Wojciechowska, grande ilustradora para crianças.

A história que trabalhei é da autoria de Margarida Castel-Branco, os títulos das outras duas capas fazem parte da mesma colecção.





So, today’s post is an illustration I’ve been wanted to do since the beginning of the year but only now managed to keep up with all the delayed work to make it happen.

I read the “Stagnation” poem, by a fellow blogger who is a writer and a Woman, nonetheless, and after I did I knew immediately I wanted to draw it, because it was extremely visual and rich in a kind of simplicity that actually adds depth to the writing while making things clearer.

The writer goes by BARELYHERENORTHERE. Please do read the poem and visit the blog.




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Picture prompt: from picture to word #7




I’m too transparent, that’s my crime. It’s all over me, if words make it hard for you to believe – there have been so many car trips, so many forgoten stories and casualties to prove what you wanted to hear. There have been others, before, who took hold of my mind, of my reason. We were partners, me and them, partners in crime against each other, digging each other for something unknown to who we were back then. Through pain we’ve kept going, through pain we’ve avoided numbness, through withdrawl we’ve tackled the feelings we were addicted to, the ones we’ve managed to forget. Through pain we tried to make something better.

You may well search my body for proof, if what I say doesn’t translate. I bear my truth and a past for which I will not apologize. It hasn’t been too long since I was blood, dreams, pain, fear, soul searching sex, and yes, I have some stories, altough I’m a no good fella, not even a good story teller, whatsoever.

My past happened before I was who I am now and that is a story I can tell, if your intention is to get to know me well.



Picture prompt: from picture to word #6




It’s bound to happen, I’m aware of the pattern – when I’m fed up living with myself, I ought to find something else, someone else. It is you.

With you I share this emotion, which travels far beyond than the bubble we’ve blown ourselves in, setting it to motion. Delighted, in the here and now, after all, every waking hour feels brand new, and though we travel we stay.

Growing in this world, we’ve been led to believe it’s wrong being so free – hey love, let it be. It’s enough that we’ve seen war, that we’ve fought ourselves. Should this be, it will. I know of ego and I know of devotion, should I give it up and devote myself to you I’m at last released.



Picture prompt: from picture to word #5




I do talk too much whenever I’m stuck, when I can’t transform thoughts into intelligible and organized phrasing, when it’s over my head. In an effort to hold on to what it is that I really want to say but don’t know yet how to, I talk too much about everything, making up stories just to keep it going until it comes to me, venturing on mundane, petty,  silly, funny things. Whatever I’m not doing during this confusion is erased from my mind, I’ll do my best not to think about it. For what is worth, whenever words cannot be found, a great frustration rises from uncertainty, when it’s over the answer pounds my eardrums in constant echoes, each beating sounding clearer than the previous.

As I pronounce each word back into the void, a way out of the maze shows itself.



Picture prompt: from picture to word #2



I fear so much being afraid, I fear I’ll defy myself touching this fear to know what it is, and since they all grow from fear itself, nothingness, inexistence and inertia take hold of my brains, arms and legs, pressing my heart to stop beating. I fear being unable. I fear I’m able. I’m afraid to start. Ugh, what a sook. I’m afraid of what fossets I’m about to open. I fear the end. I’m afraid I’ll flee and give up. I fear being mediocre. I fear I’ll fail and betray what I’ve weaved into dreams, because nothing do natural should make me feel trapped. In order to break free, only doing seems to be the answer – and I do – I do it relentlessly whe  fear strikes hard, stomping loud. I stop at nothing and it still haunts me. Am I driven by fear? I move faster away from it.

Inclusively, breaking out in the beginning of the healing process, when I see myself as a newborn project into a new bubble, like a bent river to another riverbend. All the while I run fast from fear by overcompensating on work thus breaking out from mediocrity’s mental confinement.

Mediocrity is a trap I often ignored and fell into, getting stuck in a rutt I would  exhaust myself trying to climb out of, much like a quicksand, overhelmed with confusion, soaked and heavy, losing hope, burying myself further down.



DesRazão: o livro, o contexto, a explicação, o casamento deste blog em livro.



… percebe-se hoje nitidamente que a loucura nunca poderá enunciar a verdade da arte, assim como nunca a arte terá como enunciar a verdade da loucura (…) Esse desatino vê-se ligado a todo um reajustamento ético onde o que está em jogo é o sentido da sexualidade, a divisão do amor, a profanação e os limites do sagrado, da pertinência da verdade à moral (…) quis o destino, infelizmente, que as coisas fossem mais complicadas. E, de um modo geral, que a história da loucura não pudesse servir, em caso algum, como justificativa e ciência auxiliar na patologia das doenças mentais. A loucura, no devir de sua realidade histórica, torna possível, em dado momento, um conhecimento da alienação num estilo de positividade que a delimita como doença mental (…)

A internação clássica enreda, com a loucura, a libertinagem de pensamento e de fala, a obstinação na impiedade ou na heterodoxia, a blasfémia, a bruxaria, a alquimia – em suma, tudo o que caracteriza o mundo falado e interditado da desrazão.



Olá, sê bem vindo.

Deixa-me falar-te sobre um livro que foi chamado DesRazão. Este livro foi publicado e publicamente apresentado este ano, há alguns meses, e, desde então, desde o momento em que nasceu, já passou por várias mãos. Os que estiveram presentes no dia da apresentação ao público puderam escutar e conhecer a origem do livro, de que se trata, qual o propósito, numa óptica muito pessoal como, aliás, se pretende que seja a leitura de poemas carregados de leitura nas entrelinhas desfasadas de pretensões. É um livro leve, com poemas seleccionados, um livro simples e de fácil manuseamento, vem ilustrado e prefaciado. É uma colecção de pensamentos e lições, a expressão de uma voz consciente da desrazão, que ganhou poder ao conquistar essa mesma consciência, quer apelar à desrazão de quem o ler, convidando o receptor a procurar ou a afirmar-se – em última análise, o questionamento e a repulsa também são reacções. Procuram-se reacções.


Passados os tempos da publicação e da modéstia envergonhada da distribuição, da estranheza do feedback, enfim, do início, este livro começa novas viagens.

Em primeiro lugar achei devida uma apresentação formal neste blog e aos leitores virtuais. Um livro não vive sem leitores e o leitor precisa de contexto, precisa que lhe seja mostrado o próximo livro.

Em segundo lugar, este meu estimado blog faz anos este mês, e esta é a celebração ideal!

Em terceiro lugar, porque vejo que preciso de divulgar cada vez mais, disponho os livros num espaço físico para compra, vejamos, no fundo para dar aos exemplares uma casa e seguir com o plano de capturar reacções.

Esta é a visão do livro, é a melodia com que foram compostos os poemas, este é o meu propósito.

Deixo-vos com um preview do livro, no link abaixo!





Veste-me de tristeza: a visão do humano raquítico

Revisitando algumas ideias antigas e um traço mais obsessivo, ofereci-me estas representações da tristeza e do vazio que nos usam à descarada, sem lhes confiarmos poder sobre nós. O vazio é uma tristeza… a não ser que sigamos doutrinas do vazio.



The emptiness doctrine liberates us from the distorting impact of the prejudices which accompany opinions. Liberation is found at the point at which identities disappear, where there are no interpretations or judgments, where the self and the world are seen for what they are, not for how they relate to our preconceived categories of how we think things are or should be.




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É depressão – It’s depression

12132519_921789697868550_8905496839812250265_oSendo todos os anos vítima dos sintomas de depressão sazonal, seja na chegada do Inverno, com a suave transição outonal, nas manhãs radiantes de sol cauterizante do Verão, ou na graciosa Primavera em que os amores de Inverno se desfazem e os animais copulam  copiosamente a mando das hormonas escravizantes. Sofro de todas de maneira diferente. Numas desato em mania, noutras enterro-me em apatia, noutras num existencialismo avassalador.


Esta é a minha interpretação desses estados. Não estamos sempre na pior onda, nem sempre somos os mesmos. Nem sempre somos os salvadores.




Meu Antinoo

Partindo do longo e trágico poema Antinoo de Pessoa, e de uma maré de sentimentos dicotómicos de paixão intensa, vertigem e excessivo zelo, face ao opressor calor que se fez sentir, busquei a chuva que caía nas margens do Nilo, de onde pescaram o corpo de Antinoo, a frigidez do seu corpo de alabastro, o calor frustrado de Adriano que amava o corpo do amante morto em violações consecutivas, incapazes de ressurreição. A divindade morta mantinha a glória, vibrando nos braços do rei, afogado e remando ao encontro da próxima paragem. O rio Nilo sujou-o. A vergonha sujou-o. Apenas o sacrifício o honrou.

meu antinoo

Beautiful        was             my       love         , yet         melancholy.
He        had        that       art,      that    makes     love    captive   wholly,
Of         being         slowly          sad          among       lust’s    rages.

Antinoo, Pessoa.