Bacalhau Basta

A vida não vale nada
e a morte vale ainda menos
mas quando é a nossa vida
vale aquilo que fazemos
desde o dia em que se nasce
até à noite em que se morre
é com aquilo que se faz
que o caminho se percorre
e se a vida é para ser gasta
vamos gastá-la a preceito
para quem é bacalhau basta
para quem é bacalhau basta
mas que seja bacalhau bem feito.

Sérgio Godinho, Bacalhau Basta

let me out of my mind

Let me trip, let the colours bring back the thrill, let me fly, let me dive, let me be super human, vanish from here to there, start all delayed human things from scratch to finish, let me float bare above your heads and rain down on you, let me wear a different skin, let me be purple, white polka dots, neon like or pitch-black, let me touch the sun and melt it for good, let my eyes shine, let my body glow, let me out of my mind to remind myself nothing existing matters.

GJ

I needed to vent, write a condensed paragraph with all the information, instead of a long structured, skillful text…

24 hour 180º

Deep into the last half hour of Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith I was fighting a mighty battle with an insidious melancholic train of thought, eschewing it to the back of the back of my mind, as I pushed harder to focus on the movie. None of us spoke during, we just held hands, lightly caressing each other’s sweaty palms, until you closed your hand tightly, allerting me there was a great scene coming up, but I confess I had lost the battle and hopped on the train.

It started during the previous movie. Anakin stood in front of the Jedi Council and Yoda saw through him that he was filled with fear, which later on made him vulnerable to the Dark Side of the Force. With that Yoda explains further on Fear leads to anger. Anger leads to hate. Hate leads to suffering, and advised Train yourself to let go of everything you fear to lose. Damn that Yoda! I was enjoying finally having a moment only for ourselves, watching and learning about your favourite sequel, I was glued to the screen with enthusiasm, until that peevish booger threw me off the space odyssey wagon onto an utterly uncomfortable box of sharp question marks. It was right there, directly from the speakers to my ears, what I had been avoiding meditating on, thinking about, why I was jumpy to the tought of being away from you. The truth is, we have been away for a while now. For as much as we want to sugar coat it, the last three months were, in reality, 6 days, the sixth being the last one, when I said goodbye at the bus stop and watched it take you home. There’s a gap fundamentally unspoken here, you get to go home and I get to mend myself for a couple days until I can focus on something else, misplaced in a house with a profound lack of familiar warmth.

After Master Yoda’s quaint observation I delved into it concerning our situation, whilst trying to, at least, understand what was happening in the movie. So, Anakin burned, Amidala gave birth, Lord Vader was created, I had been afraid of moving far away from you and was worried about the costs of my absence,  about the distance, the constant longing, the wistful thinking, the fear of losing you to the distance. You see, miracles in my life happened by you. I don’t matter.

I joined you for lunch, which was left unattended ‘till late that day, before the movie marathon, followed by the short in time yet rich in intensity night which rendered a mellow morning with it’s contractual hour of bleak bliss, denial and love making. We watched The Force Awakens and we didn’t spoil the leading moments to your departure speaking about the distance. Later that night I watched Fellini’s Satyricon, chewing my tongue in distress for not having heard word from you since…

I pray I can learn to let go, but not so much you won’t know how much you’re cared after, for your staying found with me is your personal freedom and my mission.

 

GJ

“onde andas?” Ausente de Março a Agosto

Voltei este mês a olhar para o meu plano de publicação no blog que criei em Março, trincando a língua em apreensão, sabendo que esse plano ficou para trás e por cumprir. Perante o abandono da minha escrita regular aqui quis escrever este post em primeiro lugar, mas aqui estou eu, algumas muitas entradas depois, a pensar como vou escrevê-lo, sem saber bem porque é tão desafiante expor os últimos meses. Opto por simplificar a minha narrativa, porque os factos da vida foram simples e acordaram-me, levando-me a tomar decisões de cabeça limpa e clara.

Embarquei em Setembro de 2014 numa demanda por aquilo em que realmente acredito para mim. Entre muitas derrotas, quedas de padrões e acções, despedidas, muita aprendizagem e também conquistas, melhores padrões e rotinas, uma mudança de paradigma essencial para o meu bem estar, solidez nas minhas relações e muito amor, muitas etapas foram percorridas. A quase dois anos desde o começo da aventura tenho de fazer o balanço, muita coisa mudou, muito foi feito, estou feliz com o quão a minha vida mudou e ainda tem espaço para mudar, por ter tomado a decisão que tomei.

Cansado de me contentar com a miséria em que vivia, amargurado e solitário, desisti de tudo o que fazia e decidi que ia, pelo menos, trabalhar naquilo que queria. Ainda não consegui. Pelo meio resolvi a minha parca forma de vida e voltei a acreditar em mim mesmo, para além de me dedicar de corpo e alma a outra vida. Fui conquistar o que mais desejava e se mostrou na hora certa, sem eu saber ou adivinhar. Antes de pensar sequer na oportunidade de mudar com inteira consciência dessa minha vontade mudei, não sem antes passar por um período de terrível confusão e auto-flagelo. Embrenhei-me em vício mais do que nunca, critiquei-me mais do que nunca, desfoquei-me de tudo, deixei de ter horas e prioridades, perdi forças e coragem, cansei-me até à exaustão e então parei, reavaliei e ponderei. A partir daí reconquistei a minha ambição e persistência e fui à luta. Esse primeiro ano foi rico em lições. O segundo ano consolidou tudo o que aprendi e vi para o meu futuro.

Demiti-me do emprego provisório que tinha, foquei-me nas aulas de línguas que dou a jovens estudantes e voltei eu também a estudar. O meu objectivo de trabalhar no ramo editorial revelou-se cada vez mais perto de fruição. O trabalho começou a ser cada vez mais afluente e exigente, bem como o volume de trabalho do curso de Design Editorial, o que me levou a estabelecer níveis maiores de produção. Confiante de que estava no sítio certo e da validez da minha paixão, fui constantemente contrariado e quebrado em todo e qualquer projecto proposto ao longo deste curso em que me integrava, e é com algum embaraço que confesso que perdi alguma fé no que estava a fazer, comecei a ter menos vontade de me dedicar a algo que amo fazer porque

“para quê se não vale de nada, certo?”

Entrei num ciclo depressivo, auxiliado por barbitúricos receitados para combater as brutais enxaquecas crónicas que me atacam a qualquer hora. Como sou um tipo com sorte e posso contar com o apoio incondicional de quem amo, fui sempre encorajado a continuar e fui constantemente lembrado de que aquele era o meu caminho. Acabou por apenas fazer parte do caminho, pois assim se aprende. Os planos mudaram, embora não radicalmente. Lá chegarei. Ao longo destes meses o que aconteceu foi muito trabalho, muita dedicação, muitas noites sem dormir, muita diversão, muitos livros, muita criatividade, muita coisa nova e primeiras vezes (algo que há muito não me acontecia). Há muita vida envolvida nesta ausência, muita actividade e necessidade de recolher informação das lições, deixar assentar. Deixo detalhes pessoais para o diário que comecei o ano passado e aqui fica o essencial. Batalhar por um propósito é o que fez estar ausente, mas tenho agora as ferramentas para me auxiliar no futuro a estar presente.

A par de tanto acontecimento transcendente (quantas vezes reviraram os olhos?) também tomei decisões sensatas como deixar de fumar, deixar de me medicar e levar uma vida mais saudável e logo menos tóxica, pensar mais em descanso, em actividade física, bem como em nutrição. É verdade, agora sou um tipo saudável dedicado a wellness, mas vou manter estes tópicos para mim mesmo.

Nada como sentir-me acordado e no meu corpo carregado de energia e de perseverança.

Perdão pelo post longo…

GJ

Rituais OCD ocasionais

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Os meus rituais para lidar com múltiplos eventos avassaladores enraizaram-se e cristalizaram, já os tenho sabidos e ensaiados, levo-os a cabo com maior rigor do que qualquer tarefa que surja. Experimentei várias formas de abordar aborrecimentos e dificuldades, porém,no presente, pela manhã, trôpego, quebro barreiras à força, quero que se foda, lido agressivamente com chatices que possam ocorrer de manhã cedo e reservo-me esse direito de mandar tudo e qualquer pessoa à fava; depois dos meus rituais matinais de me centrar e de me dedicar tempo, danço pelas coisas vida com outra graça, quase sem fome, amoroso e focado; pela noite quero um desenlace revigorante, justificar criativamente o dia.

Em momentos primordiais da minha juventude resolvia o enfado das coisas de formas menos cristãs e correctas, mas como nunca fui um bom modelo de bons costumes nem nunca fui cristão, tendo sido convidado a abandonar a minha turma de catequese em moço pequeno, pouco me importava se certo ou errado, desde que não tivesse de dedicar atenção a percalços e desde que me viesse, sem nóias e lições. Hoje, orgasmos é só para prazer próprio e mútuo, livre de elos mundanos, livre de ser um meio para o esquecimento. Para me abstrair, saio para caminhadas ou para escutar os que precisam de ser escutados, dou-lhes a minha mão e a minha atenção.

Shall We Love -- Shall we talk about love - o amor na nossa geração - YouTube - Google Chrome 07122015 112625Da minha fácil dispersão e tendência para demorar a começar algo prioritário, quando assoberbado por irritações, barulhos indesejáveis; necessidades; ressacas; desgostos; culpas; outras fragilidades emocionais; preguiça; relutância e receios, dispara o modo emergência de arrumar, arrumar, arrumar, deixar tudo arrumado, alinhado à direita, alinhado ao centro dentro do perímetro rectangular, quadrangular ou circular, limpar, pôr a lavar, escovar, sacudir, categorizar por cores, por material, por tamanho, por padrão, por peso, por dimensão quando ao alto ou ao baixo, em caixas, em prateleiras, em gavetas e em capas, madeiras, metais, tecidos, papéis, instrumentos, recipientes, carvão e pastéis, organizar  documentos, recibos, folhas rabiscadas, coisas sem importância, textos daqui e dali, arrumar alfabeticamente por autor os livros, primeiro os lidos, então os que vou ler, depois por prosa e então por verso, verter o café, lembrar o cigarro que abandonei, deitar-me na cama feita de lavado, vir-me e começar a tirar tudo das paredes, mudar a disposição da decoração, fechar-me no chuveiro em silêncio, tratar gentilmente a face, tirar todo e qualquer restante pêlo supérfluo, barbear, matar a sede, esquecer-me de comer, vestir a roupa mais larga e fazer a lista do que há para fazer, não comer, fazer metade no dobro do tempo e desistir de estabelecer um horário para produção e satisfação pessoal.

No fim disto, que fiz nas últimas duas horas, já estou é cansado e pronto para sorrir com a alma, com a face e com o fígado, engolir o barbitúrico e dar graças, fechar os olhos secos e dormir, rindo para comigo no conforto dos meus rituais que, por muito disfuncionais que sejam, me roubam da fatalidade do existencialismo que me persegue e zanga.

GJ

Daniel, o inexplicável e o mortífero

 Há tanto por explicar e não tarda já o poderás entender por ti mesmo…

   Daniel, jóia em bruto, cuidado com as barreiras que te surgirem: terás de passar por elas, mas não poderás voltar atrás. Acrescento ainda que sempre terás barreiras onde quer que vás. Deixa-me, com os tiques de alguém de grava história em pedra, registar as idades que vivo e com isto advertir-te, para que não te interponhas tu mesmo entre as barreiras e o resto… Todas as barreiras são necessárias para te lembrares de quem és. Algumas ficam fatigadas com o tempo, não se reerguem.

Sobretudo, mais grave ainda que qualquer auto flagelo: não compliques. Criares as tuas próprias barreiras é um atentado contra ti mesmo. Que cries barreiras ao que sentes é inútil, não há nada que pare uma emoção, senão a morte. Se tentares e te esforçares para impedir as tuas emoções de serem reais, elas matar-te-ão. Exprime tudo, até a moderação… não existem motivos suficientemente fortes para te impedir de assim o fazer, nem mesmo a ameaça, nem mesmo a opressão, nem mesmo a morte que te possa custar. Estarás morto de qualquer forma. Não te permitas viver morto. Vive sempre sem outra opção. A liberdade é daquele que se sabe aprisionado, seja qual for a prisão. Foge dos moralismos: enquanto vivemos entre humanos, sejamos humanos, dum inter homines sumus colamus humanitatem.

Testa-te, surpreende-te, fere-te a quebrar barreiras, nem que as quebres ao cair. As boas escolhas também se aprendem ao escolher mal. Vive e prossegue com graça. Todo o arrependimento que te causares, foi uma escolha difícil… e que mal te fará? A felicidade que queres pode ser a amargura que mais evitas. Liberta quem te deixa. Sente saudades e perde a esperança do ideal. Perdoa este pequeno e barulhento pedaço de terra – a minha, a tua.

GJ