wip Caligrafia – Cantiga de amigo

Comecei na semana passada uma nova viagem pela poesia medieval portuguesa e galega, relendo algumas das minha cantigas predilectas, dos meus tempos de estudo da literatura portuguesa, soprando o pó do  “Tesouros da Poesia Portuguesa”, um belo exemplar que encontrei numa pequena feira do livro de Lisboa o ano passado.

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Já que muito tenho praticado o estilo Spencerian, achei que seria um bom exercício para fazer algo completo e belo, cruzando o medieval com o traço dramático e contínuo do Spencerian. Não ficou uma maravilha e há muito ainda a melhorar.

Para superar algumas dificuldades técnicas encontrei novos aparos, melhor papel e tintas. Resta manipular melhor as novas ferramentas.

 

GJ

Caligrafia – Spencerian w.i.p

É à noite que tenho a calma e o silêncio para praticar, acalmar-me do dia movimentado, desenhar traços e construir palavras belas. Arrisco-me a transcrever peças literárias para mais tarde decorar o meu espaço de trabalho. A ver como corre!

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New Spencerian Compendium – depois de uma breve investigação, consegui um exemplar digital deste compêndio recomendado por calígrafos.

 

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GJ

 

Caligrafia para um caso perdido

A minha letra normal sempre foi ilegível, feia e rude. Quando me meti a aprender caligrafia não sabia o quão difícil seria adaptar-me. Já passei pelo batarde, dei-me mal com Copperplate e estou agora a aprender Spencerian.

Com a prática lá fui aprendendo a desenhar letras, ao invés de escrever sem levantar a caneta, ainda que a minha mão pesada quase parta o aparo, estragando folhas e tinta como se não houvesse amanhã.

De momento, o site IAMPEF é a melhor fonte de informação para calígrafos, por isso vou lá buscar o que preciso, incluindo aulas e vídeos.

Para aprender o estilo Spencerian, tive de me habituar primeiro a manusear o aparo, aprender o ângulo da escrita e as ordens ascendentes e descendentes do desenho.

Por agora só faço asneira, mas vou mostrando a evolução deste estudo.

 

 

GJ

Round midnight

Por vezes a noite prolonga-se e distraio-me facilmente. Esta noite foi mais focada e virada para uma “arte de domingo”, como diria um estudioso de tipografia professor meu, como a caligrafia. Tirei alguns versos do poema de Baudelaire “L’homme et la mer” e, a modos desajeitados de copperplate, rabisquei esta folha:

 

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Enfim, algo a melhorar, com certeza.

 

GJ

Meu Antinoo

Partindo do longo e trágico poema Antinoo de Pessoa, e de uma maré de sentimentos dicotómicos de paixão intensa, vertigem e excessivo zelo, face ao opressor calor que se fez sentir, busquei a chuva que caía nas margens do Nilo, de onde pescaram o corpo de Antinoo, a frigidez do seu corpo de alabastro, o calor frustrado de Adriano que amava o corpo do amante morto em violações consecutivas, incapazes de ressurreição. A divindade morta mantinha a glória, vibrando nos braços do rei, afogado e remando ao encontro da próxima paragem. O rio Nilo sujou-o. A vergonha sujou-o. Apenas o sacrifício o honrou.

meu antinoo

Beautiful        was             my       love         , yet         melancholy.
He        had        that       art,      that    makes     love    captive   wholly,
Of         being         slowly          sad          among       lust’s    rages.

Antinoo, Pessoa.

GJ