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A verdade liberta-nos quando a aceitamos. Algo muda.

Por cada verdade que aceitei como libertação algo mudou, é verdade. Há alívio parcelado. No alívio, porém, persiste a demanda por preenchimento, a aventura de levar a cabo a crise sustentada por coisas que não sei o que são, coisas vazias. Coisas, ambições, fragmentos de identidade dos quais nada de mim grita de volta. Tudo vale a pena, se quiser a dúvida. Tentar tudo tem tanto de bravura como de devassidão. 

Não sei o que é que vou querer, sabendo não estou interessado em demasiados sonhos, nem em contentar-me. Procuro exceder-me.

Tenho voz e vou transformá-la em pedaços concretos e francos, pôr por palavras e razão um copo cheio.

Ficar. Ficar agrilhoa as mentes francas e curiosas mas não as demove.

Morrer ou não morrer é a premissa duma falácia. Se o suicídio se torna numa opção, em toda a sua natureza de grande conflito, passa a ser senão o regalo dos que se deliciam com menos um, enquanto que aquilo que faz com que viver seja o maior dom nos é retirado e lá nos vamos esquecendo – no meio das ofensas, dos vícios, das suspeitas, da sobrevivência, dos nossos buracos perfeitos – do que somos feitos e do que podemos ser, secretamente conscientes da inconsistência das nossas desculpas para sermos menores.

Sentir-me medíocre trouxe-me aqui e acredito estar algures perto de alguma coisa que procuro. A demanda pelo que anseio continua, porque vivo as epifanias de agora, porque quantas mais respostas obtenho, mais procuro.

 

GJ

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