24 hour 180º

Deep into the last half hour of Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith I was fighting a mighty battle with an insidious melancholic train of thought, eschewing it to the back of the back of my mind, as I pushed harder to focus on the movie. None of us spoke during, we just held hands, lightly caressing each other’s sweaty palms, until you closed your hand tightly, allerting me there was a great scene coming up, but I confess I had lost the battle and hopped on the train.

It started during the previous movie. Anakin stood in front of the Jedi Council and Yoda saw through him that he was filled with fear, which later on made him vulnerable to the Dark Side of the Force. With that Yoda explains further on Fear leads to anger. Anger leads to hate. Hate leads to suffering, and advised Train yourself to let go of everything you fear to lose. Damn that Yoda! I was enjoying finally having a moment only for ourselves, watching and learning about your favourite sequel, I was glued to the screen with enthusiasm, until that peevish booger threw me off the space odyssey wagon onto an utterly uncomfortable box of sharp question marks. It was right there, directly from the speakers to my ears, what I had been avoiding meditating on, thinking about, why I was jumpy to the tought of being away from you. The truth is, we have been away for a while now. For as much as we want to sugar coat it, the last three months were, in reality, 6 days, the sixth being the last one, when I said goodbye at the bus stop and watched it take you home. There’s a gap fundamentally unspoken here, you get to go home and I get to mend myself for a couple days until I can focus on something else, misplaced in a house with a profound lack of familiar warmth.

After Master Yoda’s quaint observation I delved into it concerning our situation, whilst trying to, at least, understand what was happening in the movie. So, Anakin burned, Amidala gave birth, Lord Vader was created, I had been afraid of moving far away from you and was worried about the costs of my absence,  about the distance, the constant longing, the wistful thinking, the fear of losing you to the distance. You see, miracles in my life happened by you. I don’t matter.

I joined you for lunch, which was left unattended ‘till late that day, before the movie marathon, followed by the short in time yet rich in intensity night which rendered a mellow morning with it’s contractual hour of bleak bliss, denial and love making. We watched The Force Awakens and we didn’t spoil the leading moments to your departure speaking about the distance. Later that night I watched Fellini’s Satyricon, chewing my tongue in distress for not having heard word from you since…

I pray I can learn to let go, but not so much you won’t know how much you’re cared after, for your staying found with me is your personal freedom and my mission.

 

GJ

Dois cafés, um em chávena escaldada

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Se estivéssemos agora a tomar café pedias-me para ir tirar e encher dois copos com água do balcão, para pagares os cafés sem que eu resmungasse. Ficaríamos dentro do café e não na esplanada, na mesa do canto, de frente um para o outro. Terias voltado e estaríamos a falar sobre aquele filme de ficção-científica com aliens e uma Linguista, do outro filme que não é bem Star Wars mas sim uma história paralela, sobre o castelo medieval que estão a construir em França e que vai levar mais 25 anos até estar totalmente erguido, sobre a vergonha que foi a organização dos Jogos Olímpicos e depois, por falar em Brasil, sobre os confrontos entre professores e estudantes com a polícia no Rio de Janeiro, só depois disso contaríamos as novidade boas e más, um diálogo que temos aperfeiçoado, intercalado por olhares cruzados, um sorriso encavacado e um amo-te. Porias a tua mão sobre a minha e falaríamos abertamente de como nos sentíssemos, até o tempo parar nos teus olhos doirados e a bolha estar restaurada. Dali partiríamos para um qualquer passeio, amando-nos pelo caminho, parando para almoçar, descobrindo mais um do outro, um sobre o outro, sem a hora da partida.

Não passaria pelo embaraço de te dizer acerca da minha solidão, não estaria disperso por demais tarefas que me mantivessem no sossego apartado do calor, apressado correr a lista da minha rotineira manhã para começarmos a nossa, enfim, seria a minha prioridade – se hoje te tivesse recebido. Especialmente hoje, que abalou o aperto e se acomodou a pachorrenta alma de lavrador, pois que se por um lado te espero fazendo dos dias poucos segundos, cultivo essa solidão para dela recolher sustento.

É esta a sólida distinção entre solidão e estar apenas só, em que o espírito arde num firme fio para o absoluto no resoluto lavor, e não soprado pela falta. Solidão é meu repouso e meu lar.

Assim seria, ficção ou não, se tivéssemos tomado café hoje.

GJ

“The Gruesome death of Anne lee and Mrs Chauff” a snippet

After her plan was set in motion there was no way Mrs Chauff could’ve guessed her own death. Smitten by her husband’s intentions and motivated by her servant’s plea, she designed a sleek plan, taking advantage from a two-day stay at the summer house, where she would make herself desappear along with Mr Chauff’s male pride and a small fortune, enough to live well with Bantilla, her servant in every way, in South Carolina. That was the plan, although, along the way she got caught up in the middle of the succession of murderous events she triggered and that I’ve watched unravel, getting killed before she could take flight on my aeroplane. If you’re looking for more gruesome details, your honour Mayor Noveno, I can describe you how she did not even scream or suffer when she got her throat slithered, how she meant to kill Anne Lee and with that turning a peachy eventless vacation to the worse ride home I’ve ever cared to experience. Shall I continue – pouring ginger cinnamon tea into a large porcelain cup – in court  – taking a sip – or will you take a seat? – Now staring at the men standing in his study – Do you gentlemen have you tea with milk or cream?

 

***

 

“The Gruesome death of Anne lee and Mrs Chauff” is a short story I’ve started a while ago in portuguese but am now writing in english.

 

GJ

 

Edgar Allan Poe “The Poetic Principle”

Adquiri recentemente os contos completos de Poe, muitos dos quais já tinha lido em inglês, pelo que considero a tradução boa, bem como a obra poética completa, traduzida por Margarida Vale de Gato, que é excelente e faz um livro esteticamente agradável, ilustrado por Filipe Abranches. No entanto, enquanto leitor de Poe, fascinou-me a “Poética” (assim traduzido na versão que possuo), uma longa narrativa acerca do pensamento, estratégia, construção, estética e propósito da poesia.

Penso que foi aqui que Poe se adiantou ainda além do seu tempo, opondo-se ao Romantismo na literatura, defendendo ideais que viriam a interromper a visão Romântica, não podendo mais ser o inconsciente poético voltar ao que era: o princípio poético passaria a ser metódico, sagaz, quase matemático, sensorial e imediato. Bem argumentada, não obstante com várias falhas e falácias no desenvolvimento, mas que  mostra a enormíssima sensibilidade poética de Poe, tornar-se-ia, então, numa muito influente dissertação no literário americano e do mundo ocidental. Alguns consideram-no perigoso pela forma como, de repente, a forma e escola seguiram outro caminho, pela forma como influenciou e desencorajou muitas obras escritas.

Qualquer aficionado de Poe desejaria ler esta composição para ir mais longe na análise integral da obra deste autor. Podem adquiri-lo facilmente, embora a melhor edição a que deitei o olho me tenha sido oferecida e é da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

GJ