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my ∅”I”∇ is↪ a ↔humorous ↶yet↮ wistful ⇑boy↫ who↧ is➹ prone⏎ to….think….of…. how ….deceiving….. life….. is,……. he…… writes….. about…… what…… he…… feels…….. towards……… things ………and………. others, ….he’s……a ……downer……. and…….. he ……….has…… a…… hard…… time….. coping.……. He…… is….. the…..starry…. eye…… blank….. expression…… boy…….. walking…………. fast ……….and ………………………………………alone.

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most of my life’s been spent on half time

tell a story and then work on it. just that.

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I heard he took some time off to go somewhere else cause he was too strung out by the pressure he needed half time but past a three days spent under the sun he rang me sayng he wasn’t getting any and he didn’t need halftime no more saying i can’t spend my life in half time  tired of seeing life pass straight by me I’m coming back  I don’t know when I might arrive I should know where I am could you come find me I heard it all before he wasn’t here he wasn’t there he wasn’t young he wasn’t old I confess I don’t care about his motherfucker and his constipated soul I said man put in a song get your shit together call when you’re home you can’t spend your life half time.

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  • it’s been 25 years
  • he has come and gone
  • he rushed several times
  • away from his home
  • to travel far
  • to search wide
  • everytime he’d be back
  • and nothing he’d find
  • yesterday he went silent
  • what would he say?
  • hey I’m going yet again
  • to no avail, anyway
  • today he returns
  • he found something he wasn’t looking for
  • a missing shard and more

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all the while the matrix is handing pills
she’s sexless sterile and making scenes
the man is damn numb and futile
and his best friend is checking her style
if you don’t like the funny life flops
I’m telling you
it’s one more sad story to hang on to
i’ve been looking for the words to tell you this
still it might come out as one more common place
though it ajsdgvkhfemh
because you see me
I thought you understood
and if you did now we’ve changed
and that’s why I was desperate
trying to remember this feeling
believing we might forget
if we keep parting

 

GJ

Palavras de livros recentes: importado do Japonês para Esperanto, traduzido para pt-br, uma leitura confusa para este tuga

catamito – ou Catamitus, emprestado do etrusco Catmite, é o nome latino de Ganimedes, personagem da mitologia grega, o lindíssimo rapaz que foi seduzido por Zeus e se tornou amado e escanção deste. Por isso, na Roma antiga dizia-se que um catamito era o parceiro passivo, normalmente mais novo, numa relação de pederastia entre um homem e um rapaz, à semelhança do eromenos grego.

 

arrivista – (francês arrisviste)adjectivo de dois géneros e substantivo de dois géneros: Que ou quem tem ambições ou quer triunfar, a todo o custo e sem escrúpulos

 

barregã – concubina

 

litania – [Religião]  Oração em que se pede a Deus ou aos santos para intercederem pelos fiéis;  Enumeração enfadonha.

 

delíquio – Acto de liquefazer-se sob a acção ou humidade do ar.

Perda momentânea dos sentidos; Vertigem, tontura.

 

patíbulo – Lugar de execução da pena de morte; Instrumento usado na execução da pena de morte.

 

pusilânimeadj. Excessivamente tímido; Que não tem coragem para reagir; Que indícios de pusilanimidade.

subs. de dois géneros; Aquele que tem fraqueza de ânimo ou cobardia.

 

uta – poema que consiste na repetição de versos de 5 e 7 sílabas em diversas combinações consoante os tipos de uta. As mais conhecidas que sobreviveram até aos dias de hoje são: a tanka, com 31 sílabas (5+7+5+7+7) e a tyôka ou uta longa, cujo esquema métrico consiste na repetição de 5+7 um número indefinido de vezes (mais de três) com 7 no fim. A uta longa leva geralmente no fim um poema em forma de tanka, que resume ou suplementa o conteúdo.

 

GJ

Da arte e da morte -Miyamoto Masao – episódio tya no yu

“tya no yu – etiqueta de preparar e beber chá, também chamada cerimónia do chá ou culto do chá. O chá é conhecido no Japão desde 729, mas o tya no yu teve origem na severa disciplina dos mosteiros zen. O seu pai foi Syukô (1423-1502). Os seus princípios foram elaborados por Zyô (1503-1555) e aperfeiçoados por Rikyû.”

in DA ARTE E DA MORTE, Miyamoto Masao

“Quando reapareceu aos três convidados, que estavam sentados na sala de chá, no seu rosto ninguém podia ler qualquer intranquilidade ou agitação. Estava igual a todos os dias normais. Voltou a saudá-los com uma inclinação da cabeça e primeiro pegou numa pequena bandeja e dela tirou um bule, que colocou à sua esquerda. Depois, abriu um saco de brocado* dourado, limpou a bandeja e voltou a colocar o saco no lugar. Em seguida, pegou com ambas as mãos numa mesinha, sobre a qual se encontrava uma taça, um pano, um batedor e uma colher, e colocou-a diante dos joelhos. Com o pano, limpou a colher e voltou a colocá-la na bandeja. Pôs o batedor atrás do pequeno lavabo. Pegou neste e colocou-o junto ao pires. Tirou então uma colher grande da prateleira e passou-a à mão esquerda, e, com o pano da direita, tirou a tampa do bule. Agora, puxou um pouco para si a mesinha, meteu uma colher de água na chávena e lavou-a. De novo meteu meia colher de água na chávena e limpou-a com o batedor, e a chávena, juntamente com o batedor, foi colocada em frente do fogão. Em seguida, limpou a mesinha com um pano e colocou sobre esta a chávena. Com a mão direita pegou no bule e entregou-o à mão esquerda. Com três dedos, tirou a tampa do bule e colocou-a numa ponta numa ponta da bandeja; e pôs três colheres de chá na chávena, na qual verteu água. Após ter batido bem a chávena, propô-la primeiro ao principal convidado”

in A ÚLTIMA SESSÃO DE CHÁ, Da Arte e da Morte, Miyamoto Masao

*brocado é um tipo de tecido ricamente decorado, feitos em seda colorida, e com relevos bordados geralmente a ouro ou prata.

GJ

Conversas

Diálogos de coisas amorosas. Voltando a Julho.

Concordo mais contigo, agora, que amar é, de facto, um acto construtivo. Destrói para construir sucessivamente. É assim que aprendemos cumulativamente, mas é assim que se ama?

Acho que é bem isso, é obrigares-te a renovar os teus paradigmas a cada dia, e não só. É dar, destruir barreiras e cercar o lugar na tua memória onde vai repousar o teu amor, construir no outro o teu repouso, onde podes ser tu.

Com isso sugeres o vão e doente acto de amar ser uma guerra de conquista de terras? Um tango? Sabes que o tango era dançado por homens?  Despique hormonal de machos?

Surpreende-te assim tanto que a competição e conquista parta dos pares? Podes observar na natureza quão rudes permanecemos, podes comparar uma medição de forças entre alfas e uma dança de sensualidade, habilidade, atracção física cuja eficácia se revela no frémito do corpo.

O que é a sedução senão uma luta pela conquista?

Conquista de quê? De espaço? Para que serve essa conquista?

És um animal e, como tal, territorial, conquistador e dominador. Precisas de te expandir para seres maior, não cabes só em ti, o teu território é o legado, a tua conquista a tua força. Enquanto amas, afirmas-te.

São primitivas, as tuas razões. Explica-me, então, porque investiria alguém, nos tempos de hoje, em territórios obsoletos? É assim a aventura de amar um jogo de criança aborrecida, às escondidas, até ser encontrada? Pois a mim parece-me que amar é egoísmo. É tão especial que homens e mulheres por todo o mundo, ao través dos tempos,  desfalecem à espera de terem certeza do que sentem. A luta pereceu, embora sejamos terras por conquistar, sem conquistadores, porque poucos são os que nada têm a perder. São os absurdos.

Já ninguém se interrompe para amar, ninguém quer sair a perder.

O que perdes se nada tiveste?

Em termos reais, não há vencedores e vencidos. Há tempo consumido e o tempo tem memória nas palavras que disseste, nos gestos, na desdita, no começo, no fim e o quão bravo ou fraco foste. Amar é doentio, ser alguém no mundo e estar apaixonado é o sintoma, é o que escreve os romances e os versos de almas torturadas pela incompreensão do que é, realmente, amor. Ser alguém e amar são águas imiscíveis. Podes tu, mais do que uma verdadeira vez diluir-te, para afirmar que amas? O delíquio do teu ego no ar desta doença não acontece se não acontecer, não tens o poder de o fazer deliberadamente. Tem de ser causado, tem de reagir a outro agente.

Quantas vezes se perdeu de amores D.Juan?

D. Juan amou? Ou procurou no coração de tantas a admiração?

Amor eterno é mais um mito que passamos séculos a tentar comprovar, mais um tédio para juntar aos padrões impossíveis de manter. D. Juan amou várias vezes e, escavada a terra da raiz desse nascido amor, nada mais havia para ele, o entusiasmo, o desejo, a alegria da paixão jovial feliz e a adrenalina passageiras cessam.

Nunca se transformou num só.

Não queres insinuar um paralelismo com alquimia, espero?

Perde e morre prematuramente aquele que não vive nem sente ao limite. Amar é fundires a tua matéria única com outra matéria impossível. Só é amor por ser transcendente, por não o encontrares no comum, no que já existe, por desafiar todos os gritos de perigo e sobrevivência que disparam no teu corpo físico. Tem de se criar a si próprio.

GJ

Palavras de livros recentes: uma questão de vocab

Abulia:  (grego aboulía, -as, falta de vontadesubstantivo feminino; Doença que tem por sintoma a perda da vontade.

Aluir:  verbo transitivo 1. Tirar a solidez à base de; verbo intransitivo 2. Fazer mover o que está solidamente fixo; 3. [Figurado]  Abalar; verbo pronominal 4. Vergar.

Lugre:  (inglês luggersubstantivo masculino; [Antigo]   [Náutica]  Embarcação de três mastros sem vergas; (origem obscurasubstantivo masculino [Ornitologia]  Pássaro conirrostro fringilídeo (Carduelis spinus), de plumagem amarela e preta. = PINTASSILGO-VERDE

Arroubo:  (derivação regressiva de arroubarsubstantivo masculino 1. Acto ou efeito de arroubar (verbo transitivo Enlevar, arrebatar, extasiar); 2. Arrebatamento, enlevo, êxtase, rapto; 3. Encanto.

Surde:   do latim surgo, -ere, erguer-se, levantar-se, pôr-se de , aparecer, sair, elevar-se, nascer, crescer); verbo intransitivo 1. Sair de dentro. = APARECER, BROTAR, SURGIR; 2. Sair de onde estava mergulhado ou imerso. = EMERGIRIMERGIR; 3. Ter início. = DESPONTAR, MANIFESTAR-SE; verbo transitivo 4. Aparecer como resultado de algo ou levar a determinado resultado. = DERIVAR, PROVIR, RESULTAR

Rechaçaverbo transitivo 1. Repelir; 2. Derrotar ou obrigar a retirar. = DESBARATAR; 3. Fazer retroceder ou recuar, opondo resistência. = REBATER

Terço: (latim tertius, -a, -um, terceirosubstantivo masculino 1. Cada parte de um todo dividido em três partes.

Relancear:   verbo transitivo 1. Dirigir rapidamente (a vista, os olhos);  substantivo masculino;  2. Relance; vista de olhos;  3. Movimento rápido.

Frustre:  1ª pess. sing. pres. conj. de frustrar.

Impudente:    adjectivo de dois géneros 1. Falto de pudor;  2. Descarado;  3. Desavergonhado.

Tácito: (latim tacitus, -a, -um, calado, silencioso, calmo, sossegado, secreto, oculto);   adjectivo 1. Que não está declarado mas que se subentende. = IMPLÍCITO, SUBENTENDIDOEXPRESSO, MANIFESTO, PATENTE;  2. Que não usa palavras ou a voz. = CALADO, SILENCIOSOPALAVROSO;   3. Que não se mostra. = ESCONDIDO, ENCOBERTO, SECRETO, VELADOABERTO, DESCOBERTO;   4. Sossegado, calmo.AGITADO, TEMPESTUOSO

Candurasubstantivo feminino 1. Qualidade do que é cândido;  2. Brancura puríssima;  3. Embarcação das Maldivas;   4. [Figurado]  Pureza;   5. Credulidade ingénua.

Ebúrneo:   (latim eburneus, -a, -um, de marfimadjectivo 1. Relativo a marfim; 2. Semelhante ao marfim, na cor ou na lisura.

Novena:    substantivo feminino  1. Série de nove dias;  2. Grupo de nove coisas; 3. [Religião católica]  Devoção que dura nove dias.

Areópago:    (latim Aeropagus, -i, do grego Áreios págos, colina de Marte onde se reunia o tribunal ateniense mais importante)   substantivo masculino   1. Antigo tribunal ateniense;  2. [Figurado]  Assembleia de pessoas eminentes.

Alvitre:   1ª pess. sing. pres. conj. de alvitrar;  3ª pess. sing. imp. de alvitrar;  3ª pess. sing. pres. conj. de alvitrar;    substantivo masculino;   Proposta; sugestão; lembrança; parecer.

Coruscante:   adjectivo de dois géneros  Que brilha muito. = FULGURANTE

Trâmite:   (latim trames, -itis, caminho secundário, atalho, estrada)    substantivo masculino   1. Caminho com direcção determinada. = SENDA, VIA;    2. Fase de um processo. = ETAPA;   3. Cada um dos meios ou termos prescritos.

Espúrio:    (latim spurius, -a, -um, bastardo, ilegítimo, falso)    adjectivo    1. Que não tem pai certo ou que não pode ser perfilhado (ex.: filho espúrio). = BASTARDO, ILEGÍTIMO;     2. [Figurado]  Que não está como o autor o fez. = ADULTERADO;   3. Cujo autor não é aquele a quem se atribui a autoria. = APÓCRIFO;    4. Que se falsificou. = CONTRAFEITO, FALSIFICADOAUTÊNTICO, GENUÍNO;    5. Estranho à boa linguagem (ex.: palavras espúrias).CASTIÇO, VERNÁCULO;    6. Contrário às regras. = ILEGÍTIMO, ILÍCITO, INOPORTUNO;    7. Imundo; espurco;   8. [Antigo]  Despojado, privado;   9. [Medicina]  Diz-se da doença a que faltam os sintomas característicos.

Ulterior:    adjectivo de dois géneros   1. Que vem depois, que sucede depois (por oposição a anterior);    2. Futuro, que há-de acontecer

GJ

Isso nunca aconteceria comigo…

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Da carruagem mais despovoada do comboio em hora de ponta sai na paragem de Benfica uma única pessoa, uma rapariga do mais comum possível, com um certo ar de gerbo. Aconteceu nessa mesma tarde de S. Martinho (sim, sim eu lembro-me) um reencontro testemunhado pela classe trabalhadora aborrecida e pelo proletariado indisposto, momento confuso em que esta rapariga fica petrificada durante os suspensos segundos, na plataforma. (Detesto-a) Do fechar dramático das portas, ao início da corrida débil, do indistinto grito gemido ao abraço que a levantou no ar aos rodopios, as nossas atenções centraram-se nestes dois macacos do destino, vendo-os deslizar para direita e desaparecer do ecrã das janelas. O olhar voltou para dentro, exalaram-se bafos de tédio pela carruagem, olhavam para o chão, para o tecto, para as mãos, para os seios, para as jóias, para os engenhos de exclusão nas dadas formas e feitios; eu perdi o meu olhar na janela, um tanto dividido com o que acabara de ver. (eu também, foi bizarro) Alguém olhava para mim, sentia o ardor daquele olhar na têmpora, vindo da porta: eu era a janela daquele olhar. (era eu, óbvio) Saí do comboio ainda a tentar decidir-me sobre o que tinha visto… O tempo que parou, o ar preso nos pulmões, o olhar que se cruzou de surpresa, as memórias que desenrolaram dos sorrisos e lágrimas, a corrida que os podia ter partido em quatro, o abraço genérico dos chick-flicks e o beijo já visto à distância, o tempo que parou onde a chegada é a partida. (desta vez ficas?) Não é agridoce?

Conta-me esta história enquanto esperamos o 738 no hospital. Ainda se faz sentir o verão de S.Martinho, encandeados pela luz no alcatrão e nos edifícios, enfraquecidos pelo calor e pela fome. Ouço a memória a funcionar, estou lá a viver a mesma viagem, a ver as mesmas coisas. É a única forma de estar presente. Estes dias, quando não estamos apressados ou a dizer adeus, estamos a contar histórias. Eu convenço-me de que se me esforçar o suficiente a minha memória pode ser enganada, adulterada, por isso imagino o que ouço e vivo essas visões. A visão mostra o que nos rodeia, mas através dela não distinguimos o real do sonho. Antes de percepcionarmos o que é real ou representação, a visão é um canal de informação não filtrada. Não me incomoda tirar partido de um conhecimento tão útil. Vejo o sorriso ao acabar de contar a pequena memória que partilhamos, a raridade do sucedido que só vendo, só estando lá, se poderia acreditar. Isso torna-o relevante, a intensidade da história encaixa na prosódia do seu discurso dignificado.

O que é que eu acho?

  • Isso nunca aconteceria comigo…

Com um desviar de olhos em alerta, prossegue, tímido, obrigado pela emoção a querer saber o porquê, açoitado pelo ego que levanta a guarda.

  • Ai sim?! E pode-se saber porquê?
  • Porque – tremo a voz – porque – rio – … porque, é o que… Porque tenho uma grande resistência a emoções fortes, é só por isso, mais nada. Não ia desatar a correr, talvez sorrisse e acenasse, ah olá e tal- aparece o autocarro – mas não tem nada a ver contigo, eu às vezes desligo a parte humana que responde a humanos…
  • Está bem – desvia o olhar para o autocarro, a expressão reflecte preocupação nas sombras de todas as rugas visíveis – até logo, depois diz qualquer coisa.
  • Sim, até logo.

Sim, até logo, meu amor é o meu pensamento, e o que se fica por completar é ouvido até ao fim do outro lado. Acreditar é vital, acredito.

O que dizer, se desisto de mim como me conheci e obedeço ao ridículo lugar comum daquele que sofre consciente da própria demência? Sentei-me no banco de jardim ordinário, das traseiras ordinárias de um prédio ordinário de Telheiras. Andei uns bons quilómetros em jejum, já parei o meu tempo dedicado a outrém, tendo iniciado o cronómetro a contar o tempo das perguntas inexoráveis e do pensamento frio, esse que me traz da amargura que me humedeceu os olhos, ao fumar o mais ordinário e ineficaz cigarro mal enrolado, para me ocupar de vez da resposta óbvia, persistente, oportunista, essa da inexistência. Esforço-me tanto por fingir para mim mesmo que nada finjo, que tudo se mistura no mesmo sonho.

O que acho? Acho que uma parte de mim quer correr para ti, outra poderia correr para longe de ti, outra poderia ser real e lembrar-se do que nos afastou.

GJ

Daniel, o inexplicável e o mortífero

 Há tanto por explicar e não tarda já o poderás entender por ti mesmo…

   Daniel, jóia em bruto, cuidado com as barreiras que te surgirem: terás de passar por elas, mas não poderás voltar atrás. Acrescento ainda que sempre terás barreiras onde quer que vás. Deixa-me, com os tiques de alguém de grava história em pedra, registar as idades que vivo e com isto advertir-te, para que não te interponhas tu mesmo entre as barreiras e o resto… Todas as barreiras são necessárias para te lembrares de quem és. Algumas ficam fatigadas com o tempo, não se reerguem.

Sobretudo, mais grave ainda que qualquer auto flagelo: não compliques. Criares as tuas próprias barreiras é um atentado contra ti mesmo. Que cries barreiras ao que sentes é inútil, não há nada que pare uma emoção, senão a morte. Se tentares e te esforçares para impedir as tuas emoções de serem reais, elas matar-te-ão. Exprime tudo, até a moderação… não existem motivos suficientemente fortes para te impedir de assim o fazer, nem mesmo a ameaça, nem mesmo a opressão, nem mesmo a morte que te possa custar. Estarás morto de qualquer forma. Não te permitas viver morto. Vive sempre sem outra opção. A liberdade é daquele que se sabe aprisionado, seja qual for a prisão. Foge dos moralismos: enquanto vivemos entre humanos, sejamos humanos, dum inter homines sumus colamus humanitatem.

Testa-te, surpreende-te, fere-te a quebrar barreiras, nem que as quebres ao cair. As boas escolhas também se aprendem ao escolher mal. Vive e prossegue com graça. Todo o arrependimento que te causares, foi uma escolha difícil… e que mal te fará? A felicidade que queres pode ser a amargura que mais evitas. Liberta quem te deixa. Sente saudades e perde a esperança do ideal. Perdoa este pequeno e barulhento pedaço de terra – a minha, a tua.

GJ

Daniel e o inexplicável

 

 

O mar? O que achas que é?

Perguntou-me ele, irrompendo da confusão feita das perguntas ininterruptas da infância, o que era o mar. Já tínhamos ido à praia mas a praia era a praia e aquilo que sabia era exactamente o que era. A água era salgada e tinha medo das ondas. Aquela água era a da praia, mas onde estava o mar e o que era? Constantemente invadido pelo síndrome saudoso de ser um miúdo português, num país que ainda respira a identidade de alguém que se serve do mar para sustento, de alguém que espera do mar o alimento para a família, de alguém que ainda espera a benevolência do mar de cuspir de volta os homens que a bordo dos navios se fizeram, não percebia a atracção.

Não sabes, e também não te vou dizer. O que quero dizer é, se não sabes o que é o Mar, vais encontrá-lo em muitas viagens e vais admirá-lo à distância, vais senti-lo no corpo que vai crescer com a tua consciência, e a ideia de Mar ninguém te poderá jamais explicar. Pode ser para ti apenas o que é, poderá ser a extensão do infinito, e ainda as dicotomias entre a vida e a morte. Porque és um miúdo que gosta de perguntar mas que não permite aceitar um lugar comum sem entender com a visão que tens do mundo, és duro de roer, para muitos, és difícil. Porém, vais ver que a teu tempo quererás sentir tudo de uma vez, até te aborreceres e quereres ver além do que pensaste ser real. Questionar é natural para aqueles que se procuram, embora te venham a querer doutrinar nos aspectos ingénuos da infância, como se ser criança fosse uma doença incontornável, fantasiosa e passageira da razão. Eles estão errados. Crescer não é desistir da maravilha.

O que o mar molha é a costa, o areal, as rochas. Se o areal for entendido como o prelúdio de um encontro raro que, repetido, é todas as vezes um reencontro ainda mais raro, falamos de poesia. Se o areal for entendido com algo vulnerável, estático, inerte, somos hipócritas. Também o teu cabelo é soprado pelo vento, molhado pela chuva, a tua pele percorre o teu corpo. O areal macio ou rude, seja sob que formas te aparecer, são rochas batidas pelos nós desse mar que me perguntas, é um aprimoramento (bastante útil) de outra forma de vida. E não saímos nós do mar diferentes? Não percorre o areal o chão do mar? Não flui o nosso sangue ora a velocidades extremas e furiosas, ora a calmos compassos levianos que nos levam a flutuar no tempo?

Ninguém sabe o que é o mar para ti. Poderás pensar por ti mesmo quando lá voltarmos e, se não lhe fores indiferente, és uma parte dele. Quando te banhares; quando te afundares; quando te perderes de ti nele; quando te assustares com ele, vais-te sentir pequeno, e, nesses momentos te aperceberás que Mar é uma experiência.

Perdoa-me o infinito de explicações pouco ou nada plausíveis. Não te explicarei absolutamente nada.

Daniel, o que possas sentir no teu inexperiente e genuíno coração é resposta suficiente por agora. Que cresças acompanhado pela verdadeira felicidade da infância, inalterada pelo peso do conhecimento, e que te lembres de voltar a perguntar o que é para ti o Mar.

Esperarei a tua resposta.

GJ

Ouroboro, tantas grafias, um símbolo apenas

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Este símbolo representa a natureza cíclica da alquimia. A serpente que engole a própria cauda simboliza os ciclos naturais, o eterno, e processos indivisíveis das práticas alquímicas.  Os alquimistas eram ainda muito interessados pelos fenómenos naturais, e usariam o Ouroboro quando necessitavam de ilustrar os conceitos de renascimento e regeneração.  Mais importante ainda, este poderoso símbolo animal alquímico representa a máxima “a unidade do todo” que é, por defeito, a filosofia mais complexa de compreender. O Ouroboro direcciona o subconsciente para penetrar n”a unidade do todo”, e abastece-nos do foco necessário à reincarnação, à aceitação dos contínuos ciclos da vida, sendo um sublime símbolo alquímico para o infinito.

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GJ

Veste-me de tristeza: a visão do humano raquítico

Revisitando algumas ideias antigas e um traço mais obsessivo, ofereci-me estas representações da tristeza e do vazio que nos usam à descarada, sem lhes confiarmos poder sobre nós. O vazio é uma tristeza… a não ser que sigamos doutrinas do vazio.

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The emptiness doctrine liberates us from the distorting impact of the prejudices which accompany opinions. Liberation is found at the point at which identities disappear, where there are no interpretations or judgments, where the self and the world are seen for what they are, not for how they relate to our preconceived categories of how we think things are or should be.

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GJ

Faz-te Forward: um programa de integração sócio-profissional feito à tua medida

Umas das melhores experiências do ano. Dinâmico, útil, exigente e gratuito.
A receita para o sucesso és tu, mas lembra-te que não existes sozinho e todos nós chegamos mais longe uns com os outros. O teu talento tem lugar.
Sem dúvida que vale a pena e que se aprende mais do que se está à espera, mais sobre nós e sobre de que tipo de pessoas nos queremos rodear, mas sobretudo como lidar com todos os outros e nos potenciarmos. Dá para crescer, crescer mais um bocadinho e até mudar de rumo.
Se tens entre 18 e 25 anos e pensas em concorrer, estão ABERTAS as candidaturas até 12 de Novembro! Se tens um talento que queres explorar, se sentes que precisas de uma forcinha para te fazeres à estrada, se te vês como um profissional pronto para atacar a tua área como se não houvesse mais nada, este é um lugar onde te podes encontrar e onde podes conhecer muito mais pessoas como tu. Tens formações específicas, tens coaching, tens mentoria e uma rede alargada de contactos. Envia a tua candidatura e surpreende-te.

Se fores seleccionado… empenha-te, entrega-te e vai até onde quiseres ir, ninguém te impõe limites… Faz-te Forward é sem travões e em frente.

Para mais informações: http://fazteforward.trtcode.com/

GJ

Bem-vindos: o que raio fui lá eu fazer, afinal?

Meus caros,

Tive o prazer de ir ao estúdio do Bem-Vindos, da RTP África, acompanhar o Edszy Style Studio (http://www.edszystylestudio.com/), com o qual tenho colaborado criativamente, para uma entrevista acerca deste e de outros projectos.
Adianto mais que a entrevista vai passar no dia 10 de Novembro (Terça-Feira), das 17h às 19h, no canal RTP África, e estará disponível no site RTP Play.
Não faço ideia de como ficou, mas estou preparado para ver todas as caretas que faço inconscientemente… enfim.

GJ

É depressão – It’s depression

12132519_921789697868550_8905496839812250265_oSendo todos os anos vítima dos sintomas de depressão sazonal, seja na chegada do Inverno, com a suave transição outonal, nas manhãs radiantes de sol cauterizante do Verão, ou na graciosa Primavera em que os amores de Inverno se desfazem e os animais copulam  copiosamente a mando das hormonas escravizantes. Sofro de todas de maneira diferente. Numas desato em mania, noutras enterro-me em apatia, noutras num existencialismo avassalador.

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Esta é a minha interpretação desses estados. Não estamos sempre na pior onda, nem sempre somos os mesmos. Nem sempre somos os salvadores.

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https://www.behance.net/gallery/30684965/Its-depression

GJ

Leituras

Um grande período de inactividade na escrita significa na minha vida, reza o específico padrão, um grande período de leituras e absorção de estímulos do mundo.

A título de exemplo, falando de livros:

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Entre outras coisas, aproveitando o balanço da primeira semana de pós-graduação em design editorial, já começo a pensar em formatos, tipografias e brincadeiras…

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Vou ler, vou pensar, vou dormir, vou ser, vou fazer estragos e depois logo se vê.

GJ

Shlamit: o início de um projecto

Dando lugar na minha prioridade a um projecto que tem vindo a maturar reuni a minha pequena e amiga equipa e fotografei a modos modernos uma figura do imaginário épico e amoroso bíblico. Aprofundarei o espectro do amor incondicional em tempos selvagens e escravatura.

Ficam aqui alguns frames em gif, para mais um cinemagraph :)

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GJ