Rough draft

This home gets messy and hard to live in, without the windows open. And the world is never to blame. Not to me, it isn’t. Unlike most, the world is my own home, the stars are family and the odd satelitte a mighty mother. Sometimes, we do get into shacky and flaky familly affairs, but the world is not to blame. Its splendorous vitality only gets polluted by my own fury and loneliness, after every cult reunion for the reformulation of faith in our midst.

A home so bountiful fulfills my every need, but I still need to cook. My fire, my pots and pans, my lab for gentle, healing potions, is a little dirty. I didn’t have the opportunity to make it spick-and-span, before being called to reunite with the fam. My self-loathe complex slaps me in the face for soiling such a part of me, as my beaming lab is.

I feel snack-ish and the fire is still burning high.  A sudden nostalgy, with no appointment whatsoever, creeps in, greeting my lonely cloud, setling in the boiling cauldron while, in my depraved peace, a mixture of anger and reason, I sing to my unforgivingly monstrous shadow, trembling but loyal. My loving branches strech really hard, to the sound of heartfelt cries, belt out to no critter.

With all my art, I stirr right-to-left the most tender beets, drowning in the richest sauce made from scratch, glowing outrageously red and thick, made of love. This soup serves me, feeds me.

My art is creating. I create love with love to satiate myself with love.

A cicle, like Nature. Mother, Son and Daughter.

GJ

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Li na parede

commitlegit
commitlegit

Li entre chinesadas

aquilo que sei ser

uma confissão esperada

antes do anoitecer

sabendo eu temer

o que se quer saber

o que dou a ver

dou as palmas a ler

as palavras a bater

os olhos a tecer

Certezas de doer

Confissões, levem-nas

que eu sou só e apenas

só, e não somente eu

sou mais e além de mim

sou extraordinário, ponte

sou, na verdade tão bom

que não presto para atenções,

que não me presto a pressões,

que me sujeito a acabar pronta

e rapidamente com a questão

que se responde a ela própria.

Sou como tantos, amado como nenhum

Sou amante de homens, sou só mais um

o que eu sou qualquer um pode saber,

mas do meu coração apenas eu sei

GJ

Reeling with antecipation

Ribeirinha
Ribeirinha

Calm sunny days, full of grace, fresh air and beauty, the imaginary of heaven. The placid way of living in comfort and fulfilled desires… Well I find life and vitality and passion in the middle of a summer storm, when the clouds approach all of us to assure us we’ll be getting wet, when terror is refreshing and when every colour is toned down, taken by the darkness, changing the same ole cemented tired setting.

Difficulty makes the idyllic only ephemeral, to be enjoyed to the fullest, knowing it goes as it comes.

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GJ

Se a banana fosse metáfora

liberatebananas
liberatebananas

Numa manhã, entre o duche frio, o beijo de despedida, o último olhar de relance e a Rua das Amoreiras, temi pela perda e perdi-me da minha falsa calma. Sem saber, no caos exterior, cortei a pele em que me embrulhei, sem saber. Exposto, amadureceu ao sol, o meu corpo emocional engelhado. Sou quem era, numa infância longínqua, mais descoberta. Uma inconsequência desafiante e descarada de uma infância sob as permissões do certo e do errado, dum corpo jovem aprendido. Decompõe-se, oxida, desgasta-se em suores, desespero e persistência, o meu corpo.

Comi este meu corpo, comi todo o meu néctar, deixei as provas na estrada por onde andei. Encontrar os meus vestígios apenas me lembra que da minha fonte inesgotável vou resgatar mais do desconhecido que me sopra pela desdita.

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GJ

Acta da 2ª Reunião PGM – Dualidade, Unidade / Twoness, Oneness

Um cheiro adocicado mas apimentado, entrecortado pela brisa que passa ocasionalmente. Hoje há um contraste de cores imenso, que nem os fumos dos automóveis corrompem. Músicas que passam com os carros, vozes de velhas e de novas aqui ao lado, e a teimosa brisa, que além de levar cheiros, leva folhas.

Ruído, vozes, maquinaria e pombos na calçada. Nada abre o apetite, excepto a fumaça que levantam os pés dos crentes na piedosa lufada fresca. Parados na sombra do meio-dia mordemos a vontade, enquanto que a estrada leva os demais a derrapar colinas fora, fervendo e atiçando a ansiedade.

Qual é o sentido de determinar com exactidão o cheiro que passeia envergonhadamente por aqui? O certo é que fica registado na panóplia de ideias dispersas que caem devagarinho no papiro improvisado. É agridoce, como o dia de hoje. Se desse uma cor a este cheiro, pintava-o de azul, verde e ocre, das luzes desta manhã.

Mesquinhices assobiam no ar como setas mal esgalhadas.  Dos tantos que caminham, poucos são caminhantes. Todos vão e voltam, escassos são os trazem fome no olhar. Que fazem eles, quando a algures chegam? Encontram-se e somam-se em conclusões? Aqueles que não salivam com a oportunidade, convalescem, sem receber sal.

Se lhe tirasse uma fotografia a sépia, estaríamos nos anos 70 dos soldados regressados. Cores de nómadas, ciganos e desterrados, o roxo de Morte a cada dia, os laivos do amanhecer numa nova casa. Tendas de ouro dos pobres, orgulho vadio e libertino. Unhas de nobre e tez mediterrânica, fustigada pelo ar quente, banhada em azeite, sua carne rosada, batida, amaciada.  Mas, se fosse possível fotografar a essência, estaríamos na aura embriagada dos escritores solitários dos anos 20.

Pára para fazer um cigarro, enquanto me controlo para não acender um. Ulula frenética, à mercê das correntes de ar mescladas de cheiros ora doces, ora almiscarados, efervescendo com risos soluçados.  À minha frente, a outra folha é preenchida a uma velocidade estonteante, e não ouso interromper quem a fomenta. A mão na mesa paira roubando a névoa nebulosa do sonho que antecede a alvorada, capturada e segura como jóias de Vénus.  A postura transmite-me que corre contra o tempo, para agarrar firmemente a teia de ideias que vão brotando, desordenadas.

Está a ficar uma merda. Olha, vou escrever está a ficar uma merda.

Notou, acordando do transe da escrita, que nenhum de nós deu pelo barulho cinzento da estrada, que se estende diante de nós.

Se há muito não dava pelo barulho, depois de este ser notado não consigo pensar noutra coisa. Estas galinhas não me deixam concentrar, estão a deixar-me deveras propensa à irritação. O que se fala na confusão da alma é mais claro e humano.

Ir, partir, chegar. Ir onde? Resido onde a minha alma se estende.

Que fazem eles, quando lá chegam? Encontram-se e somam-se em conclusões?

Estou aqui, faço sentido, como estas amoreiras à beira da estrada.

 

 

 

                                                     Pequenos Grandes Malditos, Sociedade de Autores Livres TM.

Acta da 1ª Reunião dos Pequenos Grandes Malditos – Unidade, Dualidade – um texto, duas vozes

Há uma mesa simples e vestida de reminiscências de entusiasmo, tisanas e questões irresolúveis sobre o comportamento humano. Um cigarro por acender com ar de estou-me nas tintas, a calma inquieta de sempre.

O olhar é de troça, brincamos com as expressões e adivinhamo-nos. Dois parvos num dia de chuva. O cabelo não ajuda, mas desce da cabeça como castas do melhor vinho. Brincamos na leitura deste recreio e sabemos não o que esperar, mas sim do que escrevemos como troféu. Inspiração, acode-nos!

Au! – diz ele – Tenho de escrever isso!

Tem todos os segredos do universo no piscar de olho de todas as certezas e seguranças. Tem nas mãos e na escrita as promessas do que pode dar ao mundo. Segura a caneta como se tivesse um palhacinho nas pontas dos dedos. Escreve e bebe água, limpando e clarificando a fluidez da tua mão, obscurecendo as frases e registos do momento. Uma frase num travessão, um inventário com uma dúzia de reinvenções, parece que esteve três dias a correr o mundo e está a despeja-lo na folha.

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                                                          Dualidade, Unidade

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Há uma mesa simples e vestida de reminiscências de entusiasmo, tisanas, um cigarro por acender com ar de estou-me nas tintas e questões irresolúveis sobre o comportamento humano, quais pequenos monstros a intrometerem-se na conversa.

Dois parvos num dia de chuva, na calma inquieta de sempre, mandam ao ar, olha o jogo de sorte, expressões para se adivinhar. Inspiração, acode-nos!

Segura a caneta como se tivesse um palhacinho a aprontar nas pontas dos dedos, parece que estave três dias a correr o mundo e está a despejá-lo na folha. Aw! – diz ele – Tenho de escrever isso! Tem todos os segredos do universo no piscar de olho de todas as certezas e seguranças; tem nas mãos e na escrita as promessas que pode dar ao mundo.

Olhar de troça, invasor constante da aura que emanamos, brincamos na leitura deste recreio e sabemos não o que esperar, mas sim o que escrevemos como troféu.

O cabelo não ajuda, mas desce da cabeça como castas do melhor vinho. Escreve e bebe água, limpando e clarificando a fluídez da mão, obscurecendo as frases e registos do momento.

Momento brincalhão, uma frase num travessão, um inventário com uma dúzia de reinvenções, já correu o mundo e já o despejou na folha.

GJ

IC